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Sinta-se Bem

Capoeira Orgânica: com toque de yoga, é perfeita para quem não tem ginga

Uma maneira menos mecânica de aprender essa arte do corpo.

Capoeira. Taí uma expressão cultural bem brasileira e bastante conhecida mundo afora. E agora contamos com uma nova modalidade: a capoeira orgânica.

Não, não tem nada a ver com agrotóxico. Criada pelo mestre capoeirista Jorge Itapuã, a capoeira orgânica é um método de ensino diferente, se baseia no resgate da expressão corporal, por meios naturais. Ou seja, não é um estilo de jogar capoeira, mas um modo novo de aprendizado.

“A Capoeira Orgânica não é voltada para quem quer ser capoeirista, mas sim para todos que se interessam em se conhecer melhor, desenvolver suas potencialidades físicas, mentais e emocionais, e qualificar sua capacidade de se relacionar com o outro”, nos conta Itapuã.

O mestre Itapuã é aquele do lado esquerdo, tocando atabaque.

O método leva em conta o estímulo da consciência corporal e de uma respiração potente, além de aumentar a flexibilidade e tonificar os músculos de forma progressiva. Muito coisa é trabalhada e o legal é que, com esse método, você aprende se divertindo.

“Mudar padrões de movimento, criar novas maneiras de se movimentar, exercitar a capacidade de ação e reação com o outro, estimular o foco visual e ampliar a visão periférica, trabalhar o ritmo no corpo, diminuir a ansiedade, aprender defesa pessoal básica, enfim… Todos os elementos estimulados no jogo que acontece dentro da roda de Capoeira são trabalhados nesse método criado com tanto carinho, estudo e dedicação”, explica Itapuã.

Vendo o mestre Itapuã fazendo, até parece fácil, né?

Como nasceu a capoeira orgânica?

Pra entender direitinho essa história, é preciso voltar um pouco e saber os motivos do mestre Itapuã. Ele é filho do mestre Nestor Capoeira, então a capoeira sempre fez parte de sua vida. Em 1998, o mestre Itapuã começou a dar aulas para crianças no ensino primário. Logo percebeu que, com criança, o modo de ensino tinha que ser outro.

“No primeiro dia de aula entendi que as aulas infantis não poderiam ser mecânicas e repetitivas como são para os adultos, se não a criança fala: “Tá chato, não quero fazer”. A partir desse entendimento, comecei então a trabalhar a criatividade, espontaneidade e principalmente a ludicidade nas aulas e foi um sucesso!”

Arquivo Pessoal

As aulas eram em conjunto com outro capoeirista, o, também, bailarino Bruno Caverna. Naquele mesmo ano, Bruno chamaria seu colega para um projeto chamado “Capoeira através da dança”.

“Nessa aula, Bruno me mostrou algumas propostas de exercitar o entendimento do jogo da Capoeira sem fazer os exercícios tradicionais de golpes, esquivas e sequências que costumávamos a fazer.

Estávamos trabalhando com um público de academia que não tinha tanto interesse na Capoeira em si, mas estava curioso pela proposta e queria gastar energia acumulada, soltar o corpo.

A resposta que tivemos, dos alunos jogando Capoeira sem terem feito os exercícios mecânicos característicos, foi tão significativa e surpreendente para mim que a partir daquele momento comecei a investigar e refletir sobre esse tipo aula.”

O capoeirista Bruno Caverna é o último, na direita. O mestre Itapuã está jogando de chapéu (sambando na cara da lei da gravidade)

“Capoeira Orgânica tem raízes e nasce justamente nesse processo de desconstrução das metodologias mecanicistas presentes na década de 90”, conta Caverna.

Enquanto Itapuã percebia que o ensino de capoeira poderia ser diferente, Bruno Caverna também reunia sua própria bagagem. Em 1995, ele foi convidado para liderar um projeto de capoeira para os internos do antigo hospital psiquiátrico Phillip Pinel. Bruno encara esses semestres no Pinel como profundamente determinantes para sua carreira. Quando, em 1998, ele e Itapuã começam a dar aula para crianças, descobriram que tinham bastante em comum.

“Passamos 3 anos trabalhando juntos, pesquisando e desenvolvendo novas ideias que já eram de alguma forma a continuação do processo iniciado no instituto psiquiátrico. Foi um momento muito rico pois com a presença do Itapuã o processo e troca se tornaram mais ricos, produtivos e prazerosos. Isso foi a semente da capoeira orgânica, que não carregava esse nome ainda na ocasião.”

No começo dos anos 2000, cada um seguiu sua vida: Itapuã foi dar aulas de capoeira na Europa e nos Estados Unidos, Bruno foi morar na Europa. E foi morar fora que deu a Itapuã ainda mais certeza de que a capoeira orgânica era necessária.

“Percebi que o aluno estrangeiro, por mais que fosse disciplinado e treinasse forte pelo método tradicional, não exercitava alguns aspectos fundamentais do jogo, que para os brasileiros já estavam intrínsecos na nossa cultura e modo de viver.

Foi nesse momento que entendi que precisava criar outra maneira de treinar que colocasse em evidência primeiro a essência do jogo da Capoeira, que estimulasse a picardia, a manevolência, a malandragem – elementos fundamentais para um bom jogador de Capoeira”.

Inspirado, claro, pelos antigos mestres e por sua metologia, o capoeirista começa a buscar um método menos mecânico e mais orgânico.

Youtube, https://www.youtube.com/watch?v=48P_Rh-K5JU&t=1s

E como funciona a capoeira orgânica?

Não é de hoje que alguns mestres perceberam que a capoeira precisava de métodos de ensino mais estruturados (antigamente, o ensino se dava mais por observação e oralidade).

O primeiro método, que só pode surgir quando a prática deixou de ser proibida pelo Código Penal na década de 1930, consistia basicamente em 8 sequências de movimentos feitos dois a dois, 4 exercícios de projeção de um com o outro (chamado de “Cintura desprezada”) e jogo, e foi sugerida pelo Mestre Bimba.

“Foi assim que aprendi Capoeira, com treinamentos mecânicos e muita repetição para condicionar o corpo. É comum hoje observar em uma aula de Capoeira – seja Angola, Regional ou outro estilo –, que as pessoas gastam mais tempo treinando Capoeira do que jogando”, analisa Itapuã.

Youtube, https://www.youtube.com/watch?v=DgFaAuob3w0

“O método Capoeira Orgânica se propõe a buscar outra forma de aprender/treinar Capoeira, com exercícios de expressão corporal, respiração, dança, resgate do nosso processo do desenvolvimento psicomotor e muitos jogos corporais.

Fruto da minha pesquisa nos últimos 20 anos com diversas práticas corporais como Yoga, Tai Chi Chuan, Teatro, Dança Contemporânea, Jiu-Jitsu, Bioginástica, Contato-Improvisação entre outras”.

Youtube, https://www.youtube.com/watch?v=48P_Rh-K5JU&t=1s

Hoje o método Capoeira Orgânica está estruturado em três módulos, como explica o mestre Itapuã:

  • Capoeirayoga – módulo inicial em que preparamos o corpo e prevenimos lesões exercitando os princípios básicos do Hatha Yoga integrados à capacidade de se movimentar com fluidez dentro da possibilidade de cada corpo.
  • Biocapoeira – módulo que prioriza o fortalecimento do corpo a partir do esquema de desenvolvimento psicomotor do ser humano, integrando a movimentação dos bichos da Bioginástica (método Orlando Cani) e a expressão corporal na atitude de atacar e defender.
  • Jogo de Angola – módulo onde integramos o gestual da Capoeira ao jogo corporal, e os elementos dos golpes e esquivas são apresentados de maneira menos mecânica possível.

Cada módulo tem duração de 3 meses (o curso completo dura 9 meses) e normalmente tem início em fevereiro e em novembro, com aulas ministradas no Rio de Janeiro.

Bia Lancha
Jornalista, nerd, chocólatra, mãe de uma gata banguela e gamer viciadíssima. Se é pra falar sobre coisas engraçadas, teorias absurdas ou nerdices, tamo junto!

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