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Atitude Coletiva

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Boicotar ou não? A guerra contra empresas não-veganas que vendem produtos veganos

Apresentador vegano botou ainda mais lenha nessa fogueira.

Nunca se falou tanto em veganismo como nos últimos tempos. Com ajuda das redes sociais, a filosofia deste movimento se espalha com bastante velocidade mundo afora, conquistando cada vez mais adeptos inclusive no Brasil.

E com tamanha repercussão, é comum que divergências de opiniões aconteçam. Uma das mais polêmicas discussões desse universo é sobre o boicote à empresas não-veganas que produzem alimentos veganos.

Maionese vegana da Unilever, empresa não-vegana, vendida nos Estados Unidos e Canadá.

Enquanto uma galera acha necessário apoiar a iniciativa das empresas, para que cada vez mais produtos veganos sejam lançados, independente se a empresa é 100% vegana ou não, outra turma acredita no boicote, pois mesmo que o produto “X” seja vegano, a empresa ainda produz uma infinidade de produtos que fomentam o sofrimento de animais.

Ai fica a grande dúvida no ar. Se um vegano consome algum alimento sem ingredientes de origem animal mas fabricado por uma empresa que produz alimentos com origem animal, ele deixa de ser vegano?

Para botar o dedo nessa ferida, Flavio Giusti, ator e apresentador de um dos maiores canais especializados em veganismo no Brasil, VegetariRANGO, publicou um vídeo com a sua opinião, um tanto quanto polêmica.

Mais praticidade, menos teoria

Com cerca de 25 anos de vegetarianismo e 6 de veganismo, o também cozinheiro (que até já nos ensinou a fazer uma coxinha de jaca) questiona o que de fato é ser vegano.

Segundo ele, é comum encontrar na rede afirmações como “todo vegano deve ser feminista“, “todo vegano deve apoiar causas sociais“, etc. Na visão dele, esse posicionamento deturpa um pouco a verdadeira ideia dessa filosofia.

Claro que apoiar essas causas é de extrema importância (e não só para os veganos), porém, quem opta por não consumir nenhum produto de origem animal tem como preocupação principal, conforme definição dada pelo site The Vegan Society (a sociedade vegana mais antiga do mundo) evitar a exploração e a crueldade com os animais, apenas isso.

Ai fica uma provocação do SOS: seres humanos também são animais. Portanto qualquer medida que nos explore ou seja cruel, não deveria ser uma pauta vegana também? 

As lutas e militâncias que vão além deste posicionamento são bem vindas, mas não são determinantes para o veganismo. Segundo o Flavio.

Outro ponto na definição dada pelo site especializado em veganismo levantado por Giusti é que, segundo eles, o veganismo é uma forma de vida que busca excluir – na medida do possível e praticável –  todas as formas de exploração e crueldade com os animais.

Muito barulho por nada?

“Então, porque tanta gente na rede parece tentar criar um novo significado para o veganismo?“, questiona Giusti. Por que tanta discussão, tantas regras, tantos poréns?

Veganismo deve ser algo pratico, não teórico. Não adianta um discurso lindo, um textão no Face, se na hora de praticar nada disso for viável.

Quando o assunto boicote aparece, os que levantam as bandeiras parecem se esquecer de um pequeno detalhe. Nenhuma empresa tem ideologia, muito menos as veganas. Elas estão preocupadas em lucrar, afirma o apresentador. Para o mercado, ajudar os animais não seria o objetivo principal.

Inclusive, muitas das empresas veganas tem entre seus sócios, donos, funcionários, fornecedores, pessoas não-veganas e, segundo o cozinheiro, até aquelas que se dizem 100% veganas, não levam essa ideologia tão ao pé da letra como muitos militantes de Facebook sugerem.

Um exemplo disso é a dedetização obrigatória que todos os estabelecimentos precisam fazer para receberem o aval de funcionamento da vigilância sanitária, assim como o uso de produtos de limpeza não-veganos, que também são estipulados pelo órgão público.

Se for para boicotar tudo de forma radical, onde faria a comprinha do mês? Seguindo as indicações de boicote da rede, talvez reste algum mercadinho em Plutão, sugere Giusti.

“Se você for boicotar todas as empresas que exploram animais, direta ou indiretamente, então você terá de boicotar todas as empresas do mundo” – frase atribuída à Gary L. Francione, filósofo estadunidense pioneiro no assunto sobre os direitos dos animais.

Boicote a Unilever

De acordo com Flavio, o veganismo tem que ser inclusivo e se mostrar possível. Ao ir nessa onda de boicote a empresas e não apenas o produto – como é feito em outros países – acaba por afastar pessoas que, possivelmente, poderiam se identificar com o movimento.

Recentemente uma onda de protestos e pedidos de boicote à Unilever pipocaram na rede. A empresa, internacionalmente conhecida por maus tratos em animais, comprou a marca Mãe Terra, empresa brasileira de produtos naturais e orgânicos, o que deu ainda mais força para a revolta entre os veganos, principalmente na ala mais radical.

Para Giusti, uma empresa do porte da Unilever começar a produzir alimentos veganos é um grande passo para a acessibilidade do veganismo, pois os produtos seriam barateados, além claro, da distribuição ser mais completa e não ficar restrita apenas à lojas específicas, geralmente presentes apenas em grandes cidades.

Segundo o apresentador, a matemática de tudo é bem simples: um produto vegano na prateleira, independente da empresa que o fabricou, resultaria em menos mortes de animais.

Boicote ao ego

Flavio pontua que o grande problema atrás disso é para os novos adeptos, ou para aqueles que estão pensando em entender melhor esse estilo de vida, que ao se depararem com esse tipo de discussão como “se você comer o biscoito vegano da Unilever você não é vegano de verdade“, acabam vendo o movimento como algo assustador, extremamente radical e muito difícil de ser seguido.

Para ele, fica a impressão de que a ala radical acaba por colocar a preocupação com os animais em segundo plano para se dedicarem à vencer uma disputa de quem é o mais vegano do rolê. O veganismo não seria um título que você ganha para massagear seu ego, para dizer que você é melhor que as outras pessoas.

Para mudar essa realidade, o apresentador aconselha, além de sair desses grupos de discussão e não dar muito ouvido a opiniões extremistas, divulgar e apoiar lançamentos veganos, por mais que a empresa em si, não seja vegana.

É claro que se um belo dia você se deparar com dois produtos veganos, um feito por uma empresa mais consciente e outro por uma empresa “comum”, nada impede de optar pela primeira opção. Vai do seu bom senso e ainda mais, do que está acessível à você.

Como diria um antigo provérbio chinês, “bambu que não enverga, quebra”. Tudo o que é rígido quebra, devagarzinho, dando um passo de cada vez, sendo flexível, as chances da mudança acontecer e permanecer resistente são muito maiores.

 

Veja abaixo o vídeo completo:

Fonte(s): VegetariRango - Youtube, Cozinha sem Stress
Redação - Almanaque SOS
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