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Sinta-se Bem

Banho de Assento: entenda o que é e porque toda Mulher deveria fazer

Veja quais são as ervas e plantas mais indicadas para você.

Constantemente surgem novas descobertas médicas para as mais variadas áreas. E que ótimo que isso aconteça! Até porque o avanço da Medicina não quer dizer que precisamos deixar para trás práticas milenares de promoção de saúde – as que funcionam, é claro.

O banho de assento é uma dessas práticas. Com o advento da Ginecologia Natural, esse tipo de cuidado íntimo tem despertado cada vez mais o interesse das mulheres, se apresentando como uma forma de resgatar saberes ancentrais e de incentivar o autocuidado feminino.

Mas o que é Ginecologia Natural?

A médica ginecologista Bel Saide é estudiosa sobre o assunto. Ela mantém um blog onde compartilha conhecimento visando empoderar mulheres por meio do acesso à informação. Em uma publicação, ela traz um conceito breve:

“A ginecologia natural enquanto forma de compreender e lidar com nosso corpo é a novidade mais velha dos últimos tempos: resgata coisas que a vovó fazia e de repente até tentou nos ensinar, mas a indústria e as propagandas nos convenceram que não funcionavam porque moderno é tomar remédio e viver no tempo acelerado das máquinas.”

Em entrevista ao SOS, a naturóloga Larissa Valiengo, que atua no Ambulatório da Mulher do Hospital Pérola Byington, afirmou que sempre que se quiser tratar de Ginecologia Natural, é preciso explicar um pouco sobre ciclo menstrual.

Nada é tão empoderardor quanto autoconhecimento sobre isso. Empoderador porque muitas vezes a gente não entende o que é natural no nosso próprio corpo“, destacou.

Nessa mesma perspectiva, foi publicado em 2018 o Manual de Ginecologia Natural e Autônoma. Fruto do trabalho de quatro amigas baianas, é uma espécie de guia para ajudar na busca pelo autoconhecimeto. Está disponível para download gratuito, baixe aqui.

O que é o Banho de Assento?

Larissa explica que banho de assento “é uma técnica milenar utilizada para prevenção e promoção de saúde. Na visão ocidental, na visão mais científica, ele nada mais é do que uma forma de reestabelecer o pH vaginal, quando utilizado pelas mulheres“.

Ao SOS, a enfermeira e doula Cíntia Ribeiro, corrobora a definição de Larissa:

“Dentro das terapias complementares e integrativas, o banho de assento é uma forma de restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal e aliviar sitomas específicos”.

A enfermeira também observou que práticas complementares ainda encontram resistência dentro do modelo biomédico.

Como fazer?

A orientação de Larissa é simples: tomar um banho previamente, lavando a região genital com água corrente. Em seguida, sentar-se em uma bacia com a preparação escolhida (daí o termo ‘banho de assento’) e ficar de 30 a 40 minutos realizando o banho.

Vale dizer que o banho de assento é feito sentando dentro da água mesmo; apenas com o vapor é outra técnica.

O ideal é que a bacia seja esmaltada ou de barro, porque bacias de plástico ou alumínio podem conter substâncias tóxicas que se liberam com a temperatura da água.

Para cada finalidade, existe uma indicação diferente. A naturóloga elencou as que mais usa e indica para suas pacientes, com as respectivas ações esperadas:

  • Artemísia: é tônica da circulação sanguínea e estimula o útero;
  • Barbatimão: possui função adstringente e cicatrizante – ajuda muito no corrimento vaginal;
  • Camomila: antiinflamatória, calmante e relaxante;
  • Rosas Brancas: para casos de candidíase, infecção uterina e urinária, também ajuda a tratar estresse, nervosismo e ansiedade;
  • Sálvia: ideal para amenizar o calor excessivo e secura vaginal em mulheres que passam pela menopausa.

Larissa recomenda preparar um chá (sem açúcar, obviamente!) com 2 colheres (sopa) da planta escolhida para cada litro de água. Esse chá deve ser diluído na água da bacia onde será feito o banho.

É importante cuidar para que a água esteja em uma temperatura morna, porém confortável ao toque, para que não haja risco de queimaduras.

Quem pode fazer?

De maneira geral, qualquer mulher pode fazer. A excessão está relacionada a alguns períodos. Mulheres menstruadas não devem fazer banho de assento e gestantes precisam necessariamente de indicação do profissional que a acompanha na gravidez.

Homens também podem se beneficiar com o banho de assento. De acordo com a entrevistada Cintia, eles podem tratar lesões anais, como hemorróidas ou outras fissuras, utilizando o método. Nesse caso barbatimão é ótimo, pelo efeito cicatrizante. Se tiver sensação de latejamento, camomila ajuda a relaxar.

Conversamos com algumas mulheres que realizaram banho de assento. Elizabete Brandão (32 anos) contou que teve hemorróidas na gravidez, há 5 anos. Uma vizinha indicou o método e o obstetra consentiu – e prescreveu também uma pomada.

Aliviava bastante a ardência, eu recomendo. Porém na gravidez é complicado fazer sozinha, precisa de ajuda para levantar“, relatou Bete.

Daniele Sioufi (28 anos) e Fabiana Araújo (40 anos) também tiveram hemorróidas, mas no pós parto. Daniele mencionou o grande alívio da dor que sentia com os banhos: “Ajudava muito. Parece que acalmava, sabe? Recomendo!“.

Fabiana usou o banho de assento também para acelerar o processo de cicatrização da episiotomia que recebeu no parto.

“Em 5 dias a episio [episiotomia] não doía e a hemorróida desinflamou. Super recomendo. Sou fã de tratamentos naturais sempre que possível”, contou.

Já deu para perceber que os benefícios são inúmeros e praticamente não há contraindicações, não é? A naturóloga Larissa só deixa um recadinho:

“Tudo isso pode e deve ser integrado com outras práticas de promoção de saúde, como alimentação saudável e prática de exercício físico; buscando sempre o autoconhecimento, autopreservação e redução de danos.”

Fica aí essa ‘dica de vó’ para nos ajudar a cuidar do corpo de uma forma natural e extremamente acessível.

Fonte(s): Ginecologia Natural, Curandeiras de Si
Daiane Oliveira
Redatora, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

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