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Atitude Coletiva

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As Maravilhas do Pinto

A maior vantagem de termos pau é ele ser teu pau.

Esse post não é misógino. Não avalio se é melhor ter pinto ou pepeca. São experiências de um cara que nasceu com pênis e que convive com ele há 23 anos. Convido, inclusive, quem tiver pepeca ou os dois, ou até afirmou cirurgicamente a identidade de gênero que compartilhe suas maravilhas pessoais. Não como disputa pra saber qual é melhor, mas para sabermos como aproveitar bem uns aos outros quando “pintar” oportunidade — com perdão do trocadilho.


Refletindo com meu melhor amigo depois de assistir “GAYS ASSISTEM PORNÔ LÉSBICO” e a clara resposta “LÉSBICAS ASSISTEM PORNÔ GAY CIS”, decidi não segurar a criaturinha bizarra que toma minha voz e perguntar:

— E aí, amigo? Prefere ter pinto ou queria ter perereca?

Antes que ele pudesse responder, me apressei na resposta:

— Às vezes adoraria ter vagina. O sexo deve ser doido, mais sensível e tal. Eu sentiria falta de penetrar alguém… só que pau não é a única coisa que serve pra isso, né? Mas em outras horas fazer xixi seria tão complicado que prefiro ter pinto. Gosto do meu pinto do jeito dele.

E meu melhor amigo respondeu:

— Também gosto de ter pinto. Tô confortável com ele, tá maneiro.

Incansável, continuei:

Mas e se seu órgão genital mudasse agora? Ficaria incomodado pela perereca mágica?

— Não. Ficaria de boa. Aproveitaria o que tivesse, saca? E o que eu não tivesse no meu, buscaria conhecer no outro. Até mesmo antes de usar os dois, ou um igual ao meu… Tipo isso.

Olhei pra minha calça e pensei por segundos. Quando perguntei se ele preferiria ter pau ou vagina, mesmo não notando, eu queria criar “disputa de vantagens” que acaba separando demais a consideração que temos por cada tipo de corpo ou sexo.

Porém, pensei em inúmeras vantagens de ter piru: indicador de humor entre as pernas; arma subestimada fazendo apenas xixi de pé e sendo amassada por mãos calejadas para provar bravura quando se pode filosofar sobre o caralho e expandir seu uso para além dos mais óbvios!

Porque, para mim, a maior vantagem do piru é ser o MEU piru!

Sou eu quem sente tudo que ele sente: da primeira respiração antes da maratona, da movimentação quase cósmica das células atiçadas, do atrito repetitivo que afeta cada poro, da hidratação da saliva e suor, até o megafônico anúncio e a estrondosa chegada do orgasmo num evento quase ufológico.

Comecei a pensar que a maior vantagem de termos pau é ele ser teu pau. A maior vantagem da xereca é ser tua xereca.

Que homem hétero não precisa tratar xereca como “útil”. Tem que olhar como um mundo a desbravar. Que “héteras” não se diminuam ou se limitem ao deixar um pau ser mais uma confirmação machista. Que gays assistindo pornô lésbico também não precisam ser tachados de misóginos só por não terem pensado nessa proposta que dei agora, de que mais gostoso seria sem disputa, só com a curtição e sem esses arquétipos ultrapassados.

Porque a satisfação do sexo deve ficar entre os envolvidos, não nas mãos do que ditam ser aceitável ou não fora de sigilo — desde que não seja crime.

E aí? O que você acha?
Comenta pra gente conversar, realmente quero saber!

Imagem de capa: es.blogs

Enrique Coimbra
"Sem H" mesmo. Escreveu os livros "Sobre um garoto que beija garotos", "Um Gay Suicida em Shangri-la" e "Os Hereges de Santa Cruz". Também grava vídeos para o canal "enriquesemh" do YouTube, é capista, e criou o site Discípulos de Peter Pan , sobre comportamento e bem-estar!

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