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As 3 técnicas para estudar que REALMENTE funcionam, segundo a ciência

Aumente 25% a 250% sua capacidade de aprendizagem.

Cassio V. S. Bomfim Publicado: 02/03/2020 11:24 | Atualizado: 02/03/2020 11:30

Já vai longe o tempo em que uma boa faculdade e a fluência em uma ou mais línguas, fora a nativa, eram passaporte para alguma vaga sonhada. Hoje a concorrência e a evolução das áreas não nos deixa outra alternativa senão um constante aprendizado que exige tempo, dedicação e até alguma sorte, pelo menos para a maioria das pessoas.

Mas, talvez, tenhamos uma boa nova sobre o assunto.

Um grupo de pesquisadores associados a APS (Association for Psychological Science) composta por profissionais da psicologia ligados a neurociência e educação de diversas faculdades estadunidenses, produziram um estudo a respeito das dez técnicas mais conhecidas ou utilizadas de aprendizagem.

Para se chegar as técnicas mais eficazes de aprendizagem, foram avaliados:

  • Condições de aprendizagem, como se o aluno estuda sozinho ou em grupo;

  • Características do aluno, ​​como idade, habilidade e nível de conhecimento prévio;

  • Variedade de materiais, de conceitos simples a mais complexos;

  • Diferenciação de critérios para desempenhos, como memória, resolução de problemas e compreensão.

Nisso, concluíram que grifar e fazer resumo NÃO são boas técnicas de estudo. Pois é, quem diria. Veja a seguir quem conquistou o pódio.

 

Os 3 melhores métodos de estudo:

Estudo intercalado

Uma forma positiva de estudo que a princípio pode parecer desfavorável é o estudo intercalado ou como chamamos mais comumente, de “revezamento de matérias”.

Ao invés de nos concentrarmos horas num único conteúdo, promovemos uma mudança aleatória entre os assuntos. Especialmente se for sobre aprendizados que envolvem movimentos físicos e tarefas cognitivas, como ciências exatas.

A sensação pode ser a de se aprender mais lentamente mas os resultados dessa técnica revelam outra coisa. Pesquisas procuraram saber sobre as vantagens ou desvantagens da alternância de matérias durante o estudo e concluiu que a técnica intercalada é mais proveitosa já que proporciona menos cansaço ao evitar o esgotamento sobre determinado tema e, com isso, ainda aumentando o tempo de trabalho do estudante.

Um grupo de alunos foi dividido em duas turmas. A primeira estudou matemática da forma habitual, em “blocos”, aprendendo sobre um determinado tema e o praticando em seguida, já o outro teve mais de um tema ao mesmo tempo, intercalando assuntos.

Em uma prova, um dia depois, o grupo que intercalou o material teve 25% mais acertos e, um mês mais tarde, 75% a mais do material estudado ainda na memória! Algo como elevar o nível de um aluno mediano, nota 5, a algo superior, tipo nota 8.

Esse ganho todo parece vir de um cérebro mais “ligado” que tem que lidar com uma variedade de assuntos durante o estudo, diferente da possível “acomodação” que o estudo tradicional promoveria.

 

Testes práticos

Essa é uma técnica bastante lembrada nos cursinhos preparatórios e por tantos outros professores do ensino médio. A pesquisa mostrou que o teste prático sobre os conhecimentos é uma das melhores formas de se estudar e é até duas vezes mais eficiente que outras técnicas tão utilizadas como o resumo ou a releitura.

Uma forma simples e clara de fixação de informações. Mas engana-se quem pensa que basta fazer o teste depois de estudar; existe um detalhe importante nessa técnica.

O principal pulo do gato desse método é que os testes também sejam feitos antes do estudo (ou seja, quando você ainda desconhece o conteúdo), pois as respostas incorretas tem o poder de fixar as corretas quando, numa revisão, verificamos nosso próprio erro.

Por exemplo, caso você assinale num teste que a capital do Canadá é Toronto mas na correção descubra que é Ottawa, muito provavelmente nunca mais esquecera disso, diferente de alguém que “sempre soube” a capital correta. Essa possibilidade de errar no teste e posteriormente o corrigir vai garantir uma permanência muito maior da informação. Algo como um efeito de hipercorreção, onde se “aprende com o erro”.

Outra indicação importante e mais básica é fazer inúmeras questões de provas anteriores sobre aquilo que está estudando, como forma de reter o conteúdo lido e também praticar a linguagem das provas que você vai enfrentar.

 

Prática distribuída

Por fim, uma técnica não tão óbvia mas comprovada nesses estudos é a prática distribuída de estudo ou se preferir, o espaçamento entre leituras. Ideal para retenção de conteúdo por longo prazo.

A exemplo da técnica de alternância de matérias, intercalamos o tempo de estudo com períodos de descanso ou outras atividades, distribuindo, por exemplo, a leitura ao longo do dia: uma hora de manhã, uma hora à tarde e outra hora à noite.

Algo como um cronograma de leitura, uma forma de organizar e potencializar o estudo. A pesquisa mostra que essa distribuição tem melhor resultado caso o espaço entre as sessões seja de 10 a 20% do tempo de retenção desejado.

Portanto, se pretende lembrar de algo por 1 semana, os períodos de aprendizado devem ser espaçados de 12 a 24 horas ou ainda para se lembrar de um assunto por 5 anos, os episódios de aprendizado devem ter intervalos de 6 a 12 meses.

Em um experimento dois grupos de alunos de um curso de espanhol estudaram um mesmo período de tempo: oito horas. O primeiro grupo estudou todas as horas num único dia, já o segundo estudou quatro horas em um dia e as quatro horas restantes apenas no mês seguinte, criando esse espaço entre as leituras. Oito anos depois esses dois grupos tiveram seu vocabulário em espanhol testado e qual foi o resultado? Bem, os alunos que utilizaram a técnica do espaçamento entre estudos tiveram um desempenho melhor em 250%!

 

Dicas de ouro para os dias de hoje!

Vale dizer que o estudo elencou 10 técnicas de estudo (detalhamos todas aqui). Caso você use outras práticas, as com menor avaliação foram o interrogatório elaborado e a auto-explicação consideradas de resultado moderado; e resumo, sublinhado (grifar), palavra-chave mnemônica, uso de imagens para aprendizado de texto e releitura como técnicas de pouco proveito.

Fonte(s): Association for psychological science, AsapSCIENCE
Cassio V. S. Bomfim
Psicanalista, cinemista e reparador. Enxerga (e escuta) histórias por onde passa. >>> umpsiandarilho.wordpress.com <

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