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‘Heróis de verdade’: artista recria a vida de pessoas comuns em quadrinhos emocionantes

Os personagens podem ser encontrados por aí, basta um olhar mais atento.

A partir do momento em que se começa a viver, todo mundo passa a ter uma história para contar. E se nos quadrinhos mais famosos do mundo os personagens e roteiro costumam girar em torno de super poderes, uniformes coloridos e grandes vilões, um gaúcho busca andar na contramão disso.

Para ele, os heróis de verdade não usam capas e podem ser encontrados há um olhar mais atento de distância.

Um casal de agricultores que se preocupam com o que comem, o porteiro de um dos prédios mais altos de Porto Alegre, a luta de uma mãe trabalhando como diarista para cuidar de cinco filhos sozinha, um homem que plantou mais de 180 árvores, a rotina de um pescador artesanal.

Pablo Aguiar, ilustrador e quadrinista de Alvorada, município do Rio Grande do Sul, via em pessoas reais, o que muita gente não enxergava. Para ele, era preciso registrar e valorizar essas histórias da realidade.

Dessa vontade, surgiu seu primeiro projeto em 2016. Ao longo de um ano, 23 quadrinhos foram publicados em um jornal local de Alvorada, sua cidade, contando histórias de moradores da cidade.

O que nos olhos de muito podia parecer só mais uma pessoa, família ou acontecimento, para Pablo eram histórias que mereciam ser contadas, respeitadas e valorizadas, pois faziam parte da vida da cidade. Assim surgiu o livro “Alvorada em Quadrinhos”.

Hoje, Pablo Aguiar está com um novo projeto. Em suas redes sociais, já foram postadas 8 histórias (até a publicação desse artigo) de um total de 12 que o autor pretende produzir. Dessa vez, o objetivo é lançar uma nova publicação chamada “Porto Alegre em Quadrinhos”, contando histórias de pessoas da capital do Rio Grande do Sul.

Um celular, gravador e um bloco desenhos. É isso que o contador de histórias usa para registrar tudo aquilo que vive durante a entrevista, para depois passar para o papel. O artista imerge no cotidiano dos entrevistados.

“Eu apenas vivo aquele momento. Gravo tudo com um gravado e tiro muitas fotos. E depois em casa procuro transformar todo esse material em um quadrinho”, nos revela Pablo.

Jornalistas são conhecidos por dar voz à vidas invisíveis. Suas inspirações profissionais já dizem muito. Eliane Brum, Fabiana Moraes, Audalio Dantas, Caco Barcelos, e outros.

Por indicação ou intuição. As histórias de vida vêm de maneiras diferentes. E por mais diferente que pareça alguém surgir do nada querendo desenhar seu cotidiano, Pablo ressalta que as pessoas costumam “aceitar de primeira”:

“Todo mundo tem uma história de vida para contar e, o que aprendi nestes anos de entrevista, é que sempre estão abertos para contar as suas histórias de vida. Por isso, sempre me recebem com muito carinho em suas casas.”

Foi assim com Adriana, uma diarista, frequentadora da Igreja Universal, e que mesmo com tantos obstáculos segue em frente com amor e fé. Uma das histórias que, segundo o quadrinista, foi uma das que mais emocionou (leia aqui).

Tentando ser fiel ao que viu e viveu, após a produção de cada matéria/quadrinho, sempre faz com que os entrevistados recebam o material em mãos, para conferir o resultado final.

“Enquanto estou fazendo o quadrinho, me preocupo muito em respeitar as palavras daquela pessoa com que conversei. Então, saber a opinião delas sobre o material é fundamental, pois, se de alguma forma o quadrinho destoa da verdade do entrevistado, é porque fiz mal o meu trabalho”, revela o artista.

Mostrar o que viveu durante a entrevista e desenhar isso de uma forma que o leitor tenha a mesma sensação que ele teve durante a experiência. Pablo crê que enxergar outras realidades, histórias reais que estão por ai, precisando ser descobertas, é um exercício de crescimento pessoal para todos:

“É muito importante ouvir o outro. Hoje em dia, então, é urgente!

Nos tempos que estamos vivendo, governados por ignorantes em busca de vinganças e objetivos pessoais, divididos pelo ódio, acredito ser importante não perder o afeto com o outro, com a natureza, com tudo aquilo que nos cerca. Precisamos de alguma forma sobreviver a esses tempos difíceis. Talvez um caminho possível seja através da escuta.”

Acompanhe o trabalho do artista pelo Instagram ou Twitter.

Fonte(s): Pablito - Twitter
Junio Silva
Jornalista, cronista, e ex-futura promessa do futebol.

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