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Arroz branco pode ser tão ruim quanto comer doce, diz novo estudo

01 de dezembro de 2022
Postado por Bruno Oliveira

Talvez não seja um dia bom para os amantes de arroz branco, pois um estudo recente confirmou que consumir o alimento em excesso pode ser tão danoso quanto consumir doces ultraprocessados, e ainda contribuir para o agravamento de doenças do coração.

Neste artigo iremos falar sobre isso e muito mais. Se liga!

 

Comer arroz branco em excesso pode fazer mal para a saúde do coração

De acordo com estudo realizado em Outubro de 2022, pelo Centro de Pesquisa Cardiovascular de Isfahan e do Instituto de Pesquisa Cardiovascular da Universidade de Ciências Médicas de Isfahan, uma maior ingestão de grãos refinados (como o arroz branco) está associada a um risco aumentado de DAC (Doença Arterial Coronariana), em comparação ao grãos integrais.

O estudo foi realizado com cerca de 2.500 indivíduos, entre pessoas com e sem tendências a doenças cardiovasculares e o que foi observado foi o seguinte:

  • Comer grãos refinados como o arroz branco é semelhante a comer óleos e açúcares não salváveis como os encontrados em doces;
  • Uma maior ingestão de grãos refinados associa-se a um risco aumentado de DAC;
  • Grãos refinados são rapidamente digeridos pelo corpo, uma vez que tiveram suas fibras removidas (principalmente presente na casca), o que leva a um pico pós-refeição nos níveis de açúcar no sangue;
  • O alto nível de açúcar no sangue pode danificar os vasos sanguíneos e os nervos que controlam o coração e causar a formação de placas nas paredes das artérias.

 

Quais alimentos são considerados “grãos refinados”

De acordo com a especialista em Endocrinologia, Andressa Heimbecher, os grãos refinados são alimentos que, na maioria das vezes, tiveram sua parte exterior, rica em fibras, reduzida ou até removida:

“O grão refinado é aquele que ao receber processamento industrial tem suas camadas mais externas retiradas, para facilitar seu cozimento e mastigação.”

Além do arroz branco, alguns exemplos mais comuns de grãos refinados são a farinha e farelo usados para produzir pães e pizzas.

A especialista também explica que no caso dos grãos integrais, essa situação se inverte:

“Já os grãos integrais, pelo contrário, têm conservadas as partes mais externas, que são ricas em fibras e vitaminas do complexo B, por exemplo.”

Mas o que isso tem a ver com o aumento de níveis de açúcar no sangue, por exemplo? A resposta está na ausência da fibra e no quanto ela é importante para o funcionamento saudável do nosso organismo.

 

Qual a importância dessas fibras, afinal?

Nós já falamos sobre a importância das fibras para a digestão em outro artigo aqui no Almanaque SOS, mas vamos revisitar alguns conceitos que são fundamentais quando estamos falando sobre a absorção dos nutrientes pelo corpo.

Para começar, o básico: fibras ajudam a emagrecer e controlam a glicose. Quando você consome carboidratos sem as fibras, existe um pico de glicose seguido imediatamente de uma grande queda de glicose, o que gera mais e mais fome de… carboidratos.

Fica a reflexão: produtos industrializados contém baixo índice de fibras (por que será, né?)

E aí que entram os grupos de microbioma que compõem o que chamamos de flora intestinal. Esses bilhões de microorganismos que vivem dentro do nosso corpo são responsáveis, dentre outras coisas, por regular várias funções do processo digestivo, entre elas, a maneira como o nosso organismo absorve os nutrientes.

O principal alimento das bactérias benéficas do nosso intestino são… adivinhe? As fibras. Principalmente presentes em frutas e vegetais, as fibras garantem energia vital para que os microrganismos desempenhem bem o seu trabalho. Um desses trabalho, veja só, é processar o açúcar do organismo.

 

O arroz pode virar uma bomba de açúcar

Já sabemos que quando as bactérias boas do nosso intestino estão em baixa, seja por insuficiência de fibras ou por outro motivo, todo o processo digestivo é prejudicado. Mas, afinal, como que o arroz consegue virar açúcar?

Quem responde é a Nutricionista Liliam Teixeira Francisco em entrevista para o site especializado TAEQ:

“O arroz é rico em carboidrato, e no processo de digestão o carboidrato se transforma em açúcar. Se comermos em grande quantidade, isso irá influenciar no aumento da glicose. Por isso, durante o acompanhamento nutricional nós sempre calculamos de forma individualizada a quantidade que cada pessoa deve comer no dia e fazemos isso de acordo com os resultados da glicose no exame de sangue dessa pessoa.”

 

O que você precisa saber sobre tudo isso

Recapitulando, o grão refinado do arroz branco tem a maior parte das suas fibras eliminadas durante o seu processo de fabricação. E justamente essa parte retirada do grão ajudaria a regular sua fome, bem como a glicose do organismo e ainda serviria como alimento para os microbiomas do intestino.

Logo, caso uma pessoa também não coma vegetais e frutas, concluímos que a sua dieta é pobre em fibras e a microbiota pode estar em baixa no intestino, impedindo que ele processe de forma adequada os açúcares do arroz e de outros alimentos.

Esse processo inadequado de digestão, por sua vez, pode gerar uma absorção maior do açúcar pelo organismo, aumentando a probabilidade do desenvolvimento de uma doença cardiovascular.

Além disso pode acarretar, inclusive, em uma condição clínica conhecida como disbiose, quando a microbiota intestinal sofre algum desequilíbrio de bactérias. Ou seja, quando o número de bactérias que fazem mal para o organismo é superior ao número de “bactérias do bem”.

Essa condição também gera problemas neurológicos e do sistema imunológico, visto que o flora intestinal também tem responsabilidade nessas áreas.

Em suma, se o arroz branco é o seu tipo de arroz preferido e você não quer (ou não pode) trocar pelo arroz integral, é de extrema importância aumentar a variedade e quantidade de hortaliças no prato, como vegetais, legumes e frutas. Pelo bem da sua microbiota intestinal e da sua saúde como um todo.

Embrapa, NEW YORK POST, CDC. https://www.cdc.gov/diabetes/library/features/diabetes-and-heart.html#:~:text=Over%20time%2C%20high%20blood%20sugar, JACC, Estadão

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