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Setor Bugiganga

Aplicativo polêmico encontra qualquer pessoa na internet com apenas uma foto

O app de reconhecimento facial pode acabar definitivamente com a privacidade.

Já encontrou a sua alma gêmea na rua, no ônibus ou no metrô e ficou sem jeito de começar uma conversa?

Se a resposta for “sim”, provavelmente você ficou sonhando em encontrar esse crush em alguma rede social para stalkear muito. O aplicativo de reconhecimento facial FindFace pode ser bem útil para isso.

Criado pelos jovens russos Artem Kukharenko e Alexander Kabakov, o aplicativo tem como função reconhecer o rosto de pessoas e rastreá-las em alguma rede social.

E isso pode significar o fim do nosso anonimato (ou o que resta dele).

Teu rosto, teus dados

Para mostrar a gravidade da situação, o fotógrafo russo Egor Tsvetko criou um projeto assustador e curioso intitulado “Your Face is Big Data” (algo como “Seu Rosto é um Conjunto de Dados”).

Egor passou seis semanas tirando cerca de 100 fotografias de passageiros em um metrô de São Petersburgo, na Rússia, e depois usou o aplicativo FindFace para rastrear essas pessoas, encontrando os perfis delas na internet.

Imagem feita no metrô | Imagem encontrada no perfil da rede social

Inicialmente o FindFace foi criado apenas para reconhecer faces de usuários da Vkontakte, a rede social mais famosa da Rússia, mas já é possível rastrear em outras plataformas também (testamos o app e descobrimos que já existe uma versão do FindFace que rastreia usuários do Twitter – e serve para os brasileiros!).

Com o projeto fotográfico, Egor conseguiu encontrar na rede cerca de 70% das pessoas que fotografou e alertou em uma entrevista ao site Bored Panda:

“Meu projeto é uma clara ilustração do futuro que nos aguarda se continuarmos a divulgar tanto sobre nós mesmos na internet como fazemos agora”.

Anônimos, não mais

Segundo o The Guardian, FindFace foi lançado em 2016 e em um curto espaço de tempo acumulou grande quantidade de usuários e buscas processadas. Em meio às suas utilizações, até mesmo a busca de perfis de atrizes pornô em mídias sociais foi realizada, com a intenção de assediá-las.

Este caso, assim como o projeto fotográfico de Egor Tsvetko, chamam atenção para o perigo que o FindFace oferece para a privacidade das pessoas. A exposição dos usuários nas redes sociais já é significativa. Imagine então se perfis, dados e fotos de uma pessoa estiverem ao alcance de qualquer um através de uma foto tirada em qualquer lugar do mundo.

A face do perigo

Kukharenko e Kabakov, os criadores do aplicativo, afirmaram terem sido contatados pela polícia e informados que o departamento começou a carregar fotos de suspeitos ou testemunhas no aplicativo, chegando até a resolver casos que estavam parados há tempos.

Mas se a polícia pode utilizar o FindFace para encontrar suspeitos e criminosos, outros criminosos livres por aí poderão encontrar facilmente suas vítimas com a ajuda do aplicativo, não é mesmo?

Sequestros, crimes virtuais, roubo de identidade e invasão de privacidade são alguns dos exemplos das bizarras e possíveis consequências do uso do FindFace por pessoas que desejarem obter informações e utilizá-las de forma nada amigável.

Imagine o que regimes autoritários podem ser capazes de fazer depois de identificarem, através do app, participantes em protestos de rua? Tenso.

Como evitar ser rastreado?

Bem, até então nem todos os usuários da rede podem ser rastreados pelo FindFace, mas para quem quer garantir o anonimato, a única e triste saída é abandonar as redes sociais. Já demos uma dica bem simples para fazer isso, aqui.

Para nós, brasileiros, ainda sobra um certo (e momentâneo) alívio, já que o aplicativo só consegue rastrear aqui no país usuários do Twitter; o app não rastreia usuários do Facebook (no mundo inteiro).

Mas, a longo prazo, quem garante que as coisas não mudem e o rastreamento se alastre para outras redes sociais? A essa altura do campeonato, nem o Chapolin Colorado poderia nos defender.

Clique aqui para ver as fotos do projeto “Your Face is Big Data”.

Fonte(s): BoredPanda, Galileu, The Guardian, Bird in Flight, Magma Translation
Tati Santana
Baiana com muito dendê, estudou Marketing e Cinema, mas seu maior crush é escrever. Adora noites de lua cheia, papo esotérico e o jeitinho "rock'n roll meio nonsense" de levar a vida.

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