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34 Cachorros e Gatos fofos que você não deveria achar tão fofos assim

O lado obscuro dos animais de raça.

Andresa Araujo Publicado: 22/07/2021 12:17 | Atualizado: 22/07/2021 14:20

Características como focinho achatado e olhos grandes podem ser fofas, mas o mesmo não pode ser dito dos cruzamentos artificiais bastante controversos. Entenda como essa prática funciona e que consequências elas trazem aos bichinhos.

 

Cachorros construídos pelo homem

Há, aproximadamente, 20 mil anos, os cães existiam, mas não eram como são hoje.

Na verdade, a espécie mais antiga conhecida se chamava hesperocyon, que viveu há 37 milhões de anos, na América do Norte. “Cyon”, do grego, significa cachorro e “hespero”, ocidente. Ele tinha essas características:

  • cerca de 50 cm de comprimento;
  • cauda longa;
  • dentes afiados.

Hesperocyon.

Depois, veio o eucyon, com um comprimento um pouco menor. Na filogenia, a partir dele, vieram os lobos, coiotes e chacais. Dos lobos, finalmente, acredita-se que originaram os cães, que nem mesmo latiam, naquela era.

Até hoje, não se sabe como eles se aproximaram dos homens e foram domesticados. Porém, de acordo com Éric Bastos, da Sociedade Brasileira de Cinófilos (Sobraci), uma coisa é fato: a aproximação foi por interesse.

Assim, a hipótese mais aceita é a de que os restos dos alimentos caçados pelos humanos eram de interesse desses ‘lobos’, ao passo que os homens se sentiam mais seguros com os animais por perto.

Com o passar dos anos, aconteceu a primeira seleção genética: quando os lobos passaram de caçadores a pastores.

Foi a “era do sedentarismo”, quando nossos antepassados passaram a criar ovelhas. Com isso, em vez de proteger as comunidades, os humanos esperavam que os animais protegessem o rebanho. Por isso, passaram a estimular o cruzamento apenas dos animais mais comportados, que não caçavam as ovelhas.

Além disso, intencionalmente, criaram uma raça de cachorro — hoje extinta — chamada Turnspit Dog, que girava o espeto de carne nos acampamentos dos homens primitivos. Com a tecnologia e a evolução, pela tarefa ter se tornado muito fácil, a raça deixou de existir.

Turnspit Dog dentro de uma roda perto do teto; Gales (1800).

Corrida, natação, farejamento são exemplos de outras atividades que foram pensadas para planejar os cruzamentos.

Mas não pense que esses modismos acabaram. Por exemplo, quem nasceu nos anos 90, provavelmente, vai lembrar quando os poodles eram febre. Nos anos 80, eram os pastores alemães.

 

Gatos construídos pelo homem

Os gatos se tornam o que são hoje de forma similar à história dos cães: a partir do Felis silvestris lybica, ou gato-da-líbia, que é maior e mais agressivo.

Felis silvestris lybica.

Algumas espécies eram menos agressivas e, portanto, foram pegos pelos humanos para serem cruzados e se reproduzirem mais. Na época do Império Romano, os navios europeus se espalharam pelo mundo e os gatos foram junto.

Vale dizer que a trajetória da domesticação de gatos é debatida até hoje, sem um consenso. Segundo o levantamento da Scientific American Brasil, “as descobertas sugerem que os gatos começaram a ficar à vontade com as pessoas para se aproveitar dos camundongos e dos restos de alimentos encontrados nos povoamentos”.

 

Existe alguma regulamentação?

No Brasil, alguém que queira abrir um canil/gatil comercial deve passar por toda a burocracia de criar uma empresa e contratar um médico veterinário como responsável técnico. A depender do Estado, algumas regras podem mudar.

Na Declaração Universal dos Direitos Animais, não há nenhum artigo que trate de seleção ou cruzamento dos animais.

Portanto, as boas práticas nos cruzamentos dependem, provavelmente, das orientações do responsável técnico. O médico veterinário Fábio Toyota, por exemplo, exemplifica:

  • utilizar machos apenas com pelo menos 18 meses de vida e fêmeas que já tenham tido 3 cios;
  • evitar completamente qualquer grau de parentesco entre os animais;
  • providenciar locais adequados tanto para o cruzamento quanto para a criação dos filhotes.

Na prática, o importante é visitar o canil (ou gatil) e descobrir se o estabelecimento segue todas essas regras.

 

Animais modificados que você não deveria achar fofo

Agora que você sabe como funcionavam os cruzamentos entre os animais, conheça algumas criações de animais fofos, porém com a saúde precária:

1. Gato anão (Munchkin)

Wikimedia, https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Munchkin_cat_2.jpg

Como o próprio nome da raça sugere, os Munchkin podem sofrer de nanismo, doença que os tornam propensos a dores articulares. A veterinária Vanessa Zimbres detalha que eles apresentam deficiência nas cartilagens, por isso as queixas de dor.

 

2. Scottish Fold

Assim como o gato anão, essa raça também foi cruzada de modo que desenvolvesse o nanismo e, em consequência disso, alto risco para dores articulares. Para criá-los, os donos precisam adaptar a casa e, de preferência, levá-los para serem acompanhados por um médico veterinário, que pode prescrever anti-inflamatórios.

 

3. Burmilla

O Burmilla é resultado do cruzamento entre as raças Birmanesa e Chinchilla. Sua aparência, portanto, é uma cor cinza prateada, pêlo áspero e olhos verdes e grandes. Pelo fato de terem genes do gato birmanês, os Burmilla podem ter doenças renais.

A veterinária Luciana Deschamps afirma que não existe uma patologia determinada por essa raça, mas os cruzamentos artificiais tornam os animais mais propensos a problemas de saúde, de fato.

 

4. Gato persa

Os gatos persa foram cruzados com gatos Angorá e, como resultado, se tornaram uma das poucas raças de gatos braquicefálicas (focinho achatado, com problemas de respiração). Seus olhos também lacrimejam mais que o normal e são mais sensíveis ao frio.

 

5. Gato siamês

Esses gatos mais comuns, esguios e até atléticos também carregam algumas complicações decorrentes dos cruzamentos induzidos, como o estrabismo — que veio da raça Sião. Doenças renais e amiloidose (acúmulo de proteínas nos órgãos) também são problemas de saúde vindas de genes defeituosos.

 

6. Pug

Essa raça, infelizmente, desenvolveu um gene — chamado SMOC2 — que desencadeia o aspecto de cara achatada, dificultando as funções respiratórias e até a saúde ocular dos bichinhos. Mas, por ser visualmente fofo, os cruzamentos continuam a acontecer e esse gene ainda é presente.

Cuidado com a piscina, o pug entra na lista dos maus nadadores por ser braquicefálicos, ou seja, por terem “focinho achatado”.

 

7. Dachshund (salsichinha)

Os salsichas não vieram da natureza com esse aspecto. Depois de muitos cruzamentos, com o objetivo de gerar um cachorro alongado, o Dachshund surgiu com tendência a hérnia de disco e até paralisia irreversível, segundo o médico veterinário Brummel Oliver.

 

8. Airedale terrier

Esses cachorros tinham a pelagem curta, porém, nos últimos 100 anos foi cruzado artificialmente até se tornar hoje um pet com pelos mais longos, propenso a doenças de pele.

 

9. Pastor alemão

Polêmico, eu sei. Essa é uma das raças que mais passaram por cruzamentos planejados. Em 1915, era de médio porte e pesava até 25 kg. Hoje são mais pesados e, por isso, sofrem de vários problemas ósseos.

 

10. Rhodesian ridgeback

Por motivações raciais, esses cães têm uma faixa saliente no dorso. Ela indica que o animal tem espinha bífida — que é o fechamento incompleto dos arcos vertebrais da coluna do cachorro. Esse distúrbio pode causar deformidades nas patas.

 

11. Bulldog

Essa raça foi criada há quase mil anos, por açougueiros, para entreter o público em batalhas violentas com touros. Para torná-lo mais dócil, diminuíram seu focinho (braquicefalia), reduziram sua estatura e tornaram-nos mais propensos ao acúmulo de gordura.

Então, embora tenham essa aparência fofa, o focinho modificado tornou mais difícil a respiração e eles podem até passar mal de calor — como ressalta a Dra. Ana Guerra. Além disso, o cuidado com a piscina vale pro bulldog também.

 

EXTRA. Cachorros de raça com mais problemas de saúde

A lista de animai fofos, que não são tão fofos assim é extensa. A seguir veja uma lista completa, feita pelo Mercury News, identificando os cães de raça, ou seja, criados pelo homem, com maiores chances de terem problemas de saúde.

A lista está em ordem crescente, em relação a preocupação com a saúde:

  • Bernese Mountain Dog

Nível de preocupação com a saúde: médio

O Bernese Mountain Dog, uma raça relativamente grande de cães, é propenso a displasia de quadril e cotovelo.

  • Bloodhound

Nível de preocupação com a saúde: médio

O sabujo pode ter uma variedade de problemas oculares, como olho seco e deformidades nas pálpebras.

  • Weimaraner

Nível de preocupação com a saúde: médio

Os weimaraners podem ter uma variedade de problemas menores de saúde, incluindo a doença de Von Willebrand. Von Willebrand, também encontrado em humanos, resulta na diminuição da capacidade de coagulação do sangue.

  • Doberman Pinscher

Nível de preocupação com a saúde: médio

Doberman pinschers podem desenvolver hepatopatia de cobre , que causa doença hepática.

  • Setter irlandês

Nível de preocupação com a saúde: médio

O setter irlandês é propenso a epilepsia, que pode ser potencialmente estabilizada por meio de medicamentos

  • Poodle

Nível de preocupação com a saúde: médio

O poodle pode desenvolver volvo de dilatação gástrica, comumente conhecido como inchaço, que freqüentemente é fatal sem cirurgia.

  • Boxer

Nível de preocupação com a saúde: médio

Os boxeadores são conhecidos por terem uma alta taxa de câncer. O câncer canino pode ser tratado se a doença for diagnosticada a tempo e não for agressiva.

  • Poodle Toy

Nível de preocupação com a saúde: médio

Poodles de brinquedo podem sofrer de pedras na bexiga. Estes podem ser potencialmente perigosos sem cuidados veterinários adequados.

  • Goldendoodle

Nível de preocupação com a saúde: médio

Goldendoodles, um “cão designer”, é o resultado de cruzamentos entre poodle e golden retriever. A raça é propensa a estenose aórtica subvalvar , uma doença cardíaca.

  • Shih Tzu

Nível de preocupação com a saúde: médio

O Shih Tzu pode ter luxação patelar, o que cria rótulas instáveis.

  • Shetland Sheepdog

Nível de preocupação com a saúde: médio

O cão pastor Shetland pode sofrer de dermatomiosite, também conhecida como “Síndrome de pele de Sheltie“. Esta doença administrável leva a problemas de perda de pelos.

  • Kerry Blue Terrier

Nível de preocupação com a saúde: médio

Os terriers azuis Kerry podem sofrer de problemas nos olhos, incluindo catarata e olho seco.

  • Dogue Alemão

Nível de preocupação com a saúde: médio

A raça Dogue Alemão é propensa a desenvolver displasia da anca, que é comum entre raças grandes.

  • Pastor australiano em miniatura

Nível de preocupação com a saúde: médio

Os pastores australianos em miniatura (ou pastor americano miniatura) podem sofrer de uma variedade de problemas de saúde importantes, incluindo displasia do quadril, catarata e membrana pupilar persistente.

  • Chow chow

Nível de preocupação com a saúde: alto

Os chow chows podem sofrer de uma variedade de problemas ortopédicos graves, muitos dos quais são examinados por criadores de renome para receber a certificação do Centro de Informações de Saúde Canina (CHIC) .

  • Poodle miniatura

Nível de preocupação com a saúde: alto

O poodle miniatura, como as raças padrão e poodle toy, pode sofrer de problemas nos olhos, como catarata.

  • Terra Nova

Nível de preocupação com a saúde: alto

O grande Terra Nova está sujeito à estenose aórtica subvalvar, um problema cardíaco que pode resultar em morte súbita.

  • Rottweiler

Nível de preocupação com a saúde: alto

Os rottweilers podem sofrer de epilepsia e osteocondrose, uma doença óssea degenerativa.

  • Labrador Retriever

Nível de preocupação com a saúde: alto

O popular labrador retriever é propenso ao câncer e ao colapso induzido pelo exercício (EIC), uma síndrome genética que pode ser rastreada.

  • Basset Hound

Nível de preocupação com a saúde: alto

Basset hounds podem sofrer de uma série de doenças genéticas, como inchaço e Von Willebrand, que podem ser evitadas por meio de criação responsável.

  • São Bernardo

Nível de preocupação com a saúde: alto

O São Bernardo, outra raça grande, pode sofrer de câncer ósseo e doenças cardíacas.

  • Golden Retriever

Nível de preocupação com a saúde: alto

A popular raça golden retriever é conhecida por sofrer de displasia de quadril e cotovelo. Uma preocupação menor com a saúde são as alergias.

  • Buldogue

Nível de preocupação com a saúde: alto

O bulldog, que pode sofrer de uma variedade de problemas de saúde, é considerado “o exemplo mais extremo de manipulação genética no mundo da criação de cães que resulta em problemas congênitos e hereditários”.

  • Pastor alemão

Nível de preocupação com a saúde: muito alto

O pastor alemão é conhecido por ser particularmente sujeito a displasia da anca, que pode ser evitada através de cuidados de reprodução e de triagem.

  • Cocker spaniel

Nível de preocupação com a saúde: muito alto

No topo da lista está o amigável cocker spaniel, que apresenta o maior número de preocupações com a saúde. Embora seja conhecido por ter uma variedade de problemas ortopédicos, o cocker spaniel também é propenso a epilepsia, doenças cardíacas e doenças hepáticas.

 

A saída é admirar com consciência

Dessa forma, diversos animais de raça não têm uma história tão bonita quanto a aparência deles.

Inclusive, há quem enxergue a prática de comprar um animal de pedigree o mesmo que aceitar todo o sofrimento por trás dos descendentes desses animais.

Contudo, no fim das contas, trata-se de uma escolha individual e vai do senso de cada um. O fundamental é conhecer o canil/gatil e saber se o animal foi criado sob a supervisão de um profissional.

 

E os animais “vira-lata“?

Então, justamente por não ter uma carga genética exclusiva, o vira-lata (ou SRD – sem raça definida) é resultado de uma seleção natural, ou seja, os animais sem raça definida se tornam mais resistentes a vários tipos de doenças.

“Justamente pela mistura o vira-lata é mais resistente. Quando cruzamos cães da mesma raça, selecionamos não somente as características genéticas externas, vai junto desta seleção os genes das doenças que mais acometem àquela raça em questão. Quando misturamos as raças portanto, a mistura de genes torna este animal menos propenso a desenvolver doenças de origem genética”, argumenta a veterinária Mireille Sabbagh, ao G1.

Por isso, não compre. Adote.

Fonte(s): Fiocruz, Super interessante, Petz, Daily Paws, Segredos do Mundo, Veja, Medium - Arquivo 11, Petlove, Canal do pet, Folha de Pernambuco, Prefeitura de Porto Alegre
Andresa Araujo
Redatora, estoica, reflexiva, profunda, blasé... e colecionadora de vídeos de coreografias criadas por populares no Twitter.

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