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Sinta-se Bem

O que tem de tão errado no Glúten?

Especialistas revelaram que ele pode ser prejudicial à todas pessoas.

“Mas tem glúten?”

Há alguns anos, além dos celíacos, o universo da alimentação saudável abraçou a tal “dieta sem glúten”. Moda passageira ou uma verdade mal compreendida?

Você sabe porque viver sem farinha de trigo e uma série de outros alimentos que possuem essa substância, que até ontem faziam bem para saúde, pode realmente ser benéfico?

Sim! Não! Eu não sei…

O canal What I’ve Learned expôs toda a verdade sobre o glúten, o porquê de fazer mal à saúde, bem como o motivo para os casos de doença celíaca terem aumentado consideravelmente nos últimos anos.

Como tudo começou

A descoberta da doença celíaca se deu em meados da Segunda Guerra Mundial, em um período onde os soldados alemães cortaram os suprimentos à população civil holandesa, obrigando todos a se alimentarem apenas de coisas que eles mesmo poderiam plantar. Além disso, eles também inundaram os campos destinados a plantação, fazendo muitos morrerem de fome.

E foi nesta situação, conhecida como o “inverno da fome holandesa“, que o pediatra holandês, Willem Dicke, observou que uma doença que danificava o intestino de algumas crianças, levando-as inclusive a morte, começou a desaparecer.

Depois, quando a população voltou a ter acesso aos suprimentos, o especialista notou que a doença voltou a atingir a região. Era a doença celíaca.

Criança holandesa durante o “inverno da fome”.

A doença celíaca é causada por uma reação ao glúten, substância presente em muitos alimentos como a farinha de trigo, molhos, produtos industrializados, etc. Seus principais efeitos são diarreia crônica, distensão abdominal, má absorção do intestino e perda de apetite.

Apesar da doença se manifestar, a princípio, em pessoas com pré-disposição genética, muitas pessoas tem adotado a dieta sem glúten, mesmo sem serem diagnosticadas, por acreditar em outros benefícios relacionados à esse tipo de alimentação.

Segundo o livro Toxic Staple, da autora estadunidense Anne Sarkisian, por manterem uma dieta sem glúten, milhares de pessoas se curaram de diversas doenças como síndrome do intestino irritado, refluxo, erupções cutâneas, alergias e até mesmo problemas neurológicos como depressão, enxaquecas, TDAH, sensações de confusão, esquecimento, falta de foco e clareza mental.

Enquanto isso, de acordo com Dr. Alessio Fassano, diretor e fundador do Centro de Pesquisas para Doença Celíaca na Escola de Medicina de Harvard e autor do livro “Dieta sem glúten: um guia essencial para uma vida saudável“, mais de 95% das pessoas que possuem a doença celíaca ainda não são diagnosticadas.

Fato não divulgado é que a doença celíaca não é a única associada ao glúten.

Glúten e a obesidade

Mesmo sem serem diagnosticadas com a doença celíaca, pessoas estão perdendo peso rapidamente, como comprova este estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros e publicado no site científico NCBI.

Durante o estudo, dois grupos de ratos recebiam livre acesso a comida e água, porém, um dos grupos tinha em seu “menu” cerca de 4,5% de glúten de trigo.

O grupo de ratinhos que recebeu glúten acabou ganhando mais peso e muito mais gordura, quando estavam em jejum apresentaram muito mais insulina e glicose no sangue, além
de gordura acumulada nos músculos e no fígado. Concluíram que o glúten é o grande responsável pela resistência à insulina, diabetes e gordura no fígado.

De acordo com outro vídeo do “What I’ve Learned”, que abordou os motivos do Japão ter apenas 3,5% da população obesa, enquanto nos Estados Unidos é cerca de 30% da população, notou-se que havia uma grade diferença no consumo de trigo entre os dois países.

Enquanto o consumo anual de trigo por pessoa é de 95 kg nos EUA, no Japão é de 50 kg, quase metade, dando indícios de que esse pode ser o motivo da diferença drástica na taxa de obesidade entre esses países.

Inclusive quem não é celíaco é afetado

O glúten de trigo é uma combinação de duas proteínas chamadas gliadina e glutenina. Apesar de muitas pessoas comerem sem apresentar problemas, ninguém é capaz de digeri-lo por completo.

Segundo Dr. Alessio Fasano, todas as proteínas que ingerimos podem ser completamente quebradas e absorvidas em nosso organismo, com exceção da combinação entre a
gliadina e glutenina.

Quando comemos um pedaço de pão, por exemplo, essa proteína não digerida fica “boiando” no intestino delgado superior, e então o organismo começa a percebê-lo como um inimigo em potencial.

Dr. Fasaso afirma que, com base no Centro de Pesquisa Celíaca e seus outros colegas médicos, o sistema imunológico do corpo interpreta, por engano, o glúten como se fosse uma bactéria muito perigosa.

Como resposta para combater esse “mal”, nosso organismo provoca um tipo de inflamação. E isso é comum para todas as pessoas, não apenas às celíacas.

É como se tivesse feito um pequeno machucado, algo comum, mas que em excesso pode causar maiores problemas. Ou seja, mesmo que você não sinta os sintomas relacionados à doença celíaca, seu organismo é afetado.

De acordo com um estudo de 2011, desenvolvido por Dr. James Oschman, especialista em biofísica e medicina complementar, e publicado no site científico NCBI, essa inflamação pode estar associada com vários tipos de doenças como alzheimer, doenças gastrointestinais, diabetes e até câncer.

Para Dr. David Pealmutter, autor do livro “A Dieta da Mente“, não há nenhum parte do corpo que esteja imune aos efeitos prejudiciais do glúten, ou seja, qualquer lugar do organismo pode ficar inflamado.

Segundo o Dr. Fasano, nosso intestino possui um tipo de barreira que separa o que é bom para nosso organismo do que não é. Porém, o glúten consegue dar uma “tapeada” nessa barreira, a proteína que não pode ser digerida e estava lá “boiando” é finalmente absorvida pelo organismo, aumentando mais ainda essa inflamação, como comprovou este estudo, desenvolvido pelo profissional.

E é por esse motivo que todos nós podemos sofrer ao consumir grandes quantidades de glúten.

Mas porque só ficamos sabendo sobre isso nos últimos anos?

De acordo com este estudo, também tendo o Dr. Fasano como um dos cientistas envolvidos, a doença celíaca esta em ascensão, aumentando 4 vezes ao longo dos últimos 50 anos. E o mais preocupante, algumas pessoas estão desenvolvendo-a mesmo após consumirem glúten sem problemas por 70 anos.

Em primeiro lugar, o motivo é que hoje em dia estamos consumindo cada vez mais produtos com glúten. Por ser considerado como um bom estabilizador de alimentos, a substância é usada de forma indiscriminada em vários produtos, inclusive nos que não utilizam farinha de trigo na composição, como o ketchup, molho de soja, incontáveis alimentos industrializados e até no batom.

Em segundo, o trigo que usamos hoje em dia já não é mais o mesmo usado a décadas atrás. Na metade do século XX, técnicas de hibridização foram aplicadas nas plantações e transformaram os grãos.

De acordo com este estudo, desenvolvido pelo Centro de Pesquisas e Universidade Wageningen, na Holanda, ao comparar os trigo antigos com os atuais, foi constatado que o alimento de hoje em dia contém uma maior quantidade de genes com as proteínas do glúten, aquelas duas já citadas, associados a doença celíaca.

E por último, outro culpado é o modo de preparação acelerado. Antigamente o processo de fermentação era longo, durava até alguns dias, processo que ajuda a decompor parcialmente o glúten. Enquanto hoje, você vai de farinha para um pão prontinho em apenas 2 horas.

Digo adeus para o glúten?

Como podemos ver é necessário redobrarmos a atenção à nossa dieta, pois mesmo quem não tenha a doença, ao consumir grandes quantidades da substância estará mantendo uma inflamação constate em seu organismo, dando margem para o aparecimento de outras doenças, podendo até tornar-se celíaco com o passar dos anos.

De qualquer forma, se for possível evitar determinados alimentos, ainda mais se você sofre de alguma doença crônica como problema intestinais, fadiga, problemas de pele, etc., vale a pena experimentar passar um tempo sem glúten.

Mas é importante que se saiba, mesmo se um alimento for anunciado como “sem glúten”, isso não significa que ele é mais saudável! Produtos sem glúten muitas vezes possuem muito mais açúcar, gorduras e mais outras substâncias questionáveis, usadas como substituta para tentar chegar no sabor da versão “original” do alimento.

Nossa dica é, na dúvida, sempre opte por produtos naturais e orgânicos.

 

Veja abaixo o vídeo completo (em inglês):

Fonte(s): What I've Learned - Youtube
Redação - Almanaque SOS
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