Afinal, pode dar Osso de Galinha (de boi ou porco) para os animais?
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Afinal, pode dar Osso de Galinha (de boi ou porco) para os animais?

Pode, mas não é bem assim.

Roberta Nader Publicado: 16/05/2018 16:26 | Atualizado: 16/05/2018 17:11

Quem já cruzou a esquina dos trinta anos e, como eu, passava longos meses de férias em sítios ou por cidades da zona rural dos Estados talvez não entenda de cara a pergunta dessa matéria.

Perguntar se um cachorro ou gato pode comer osso de frango é como perguntar se passarinho pode comer mamão ou se gente pode comer arroz. Mas, graças às bem vindas campanhas de castração gratuitas, cachorro vira-lata (aquele que, deveras, revira a lata de lixo na rua) virou raridade em muitas cidades.

Por isso os mais jovens podem não entender, mas a cena mais comum de uma infância no interior é cachorro comendo osso de frango. Tão comum quanto ver pomba na rua.

Cachorros parecem adorar ossos de frango, mas será que é seguro?

Digo mais, nos longos meses de férias que eu passava no sítio, a farra minha e da minha irmã era JUSTAMENTE juntar em um único prato todos os ossos do frango do almoço para fazer a alegria dos cachorros, que davam pulos de meio metro só de verem a gente se aproximar da porta da cozinha.

Até onde me lembro, nenhum morreu.

Mas vamos combinar que os cachorros a que me refiro seriam algo como o Chuck Norris comparado à animais criados na cidade, com raças mais sensíveis, tamanhos menores, e pedigree. Posto isso, fui consultar dois especialistas: afinal de contas, podemos fazer nossos pets de composteira orgânica depois da refeição?

“Não”.

Essa foi a resposta que recebi do biólogo Fernando Ribeiro Mendonça, dono do pet shop Equilíbrio Zoo. Aparentemente uma resposta direta. Aparentemente.

“Ossos de aves são pneumáticos. São ossos com pequenos furinhos que permitem a passagem de ar, e lembram um chocolate aerado. Ossos assim são mais leves e facilitam o voo. Isso significa que quando o cachorro mastiga, o osso de ave solta lasquinhas muito pontiagudas que podem facilmente furar as vísceras do animal. Portanto não é indicado para seu pet de maneira nenhuma.”

Mas e os cachorros do meu sítio? E as centenas de vira-latas das centenas de cidades pequenas que povoam o país revirando lixos e mastigando ossos de frango?

Segundo o Fernando, os cachorros de sítio, que vivem soltos, são muito diferentes dos pet de cidade. Os cachorros de sítio e de rua são generalistas, desde que desmamam eles aprendem a comer de tudo, nunca perdendo sequer uma oportunidade de se alimentar. Seus dentes e seus corpos são mais acostumados a triturar e digerir alimentos diversos, ossos inclusos.

Naturalmente, ela prefere comer fora da vasilha.

Os cachorros de cidade não. Eles são acostumados a comer ração desde pequenininhos. Além disso, cada vez mais as pessoas estão humanizando seus cachorros de apartamento.  Fernando diz que há casos de animais tão sensíveis que só comem uma marca de ração, se o dono troca de marca, eles recusam. Mas isso não é uma teimosia do animal, é da pessoa.

Nessa de humanizar o pet, o dono muitas vezes não espera o animal se acostumar com uma nova comida, se o bichinho rejeita, lá vai ele comprar a marca anterior novamente. Por isso, com o tempo, os cachorros realmente ficam muito exigentes e sensíveis quanto à alimentação. E os ossos de frango, para um animal que sempre comeu apenas ração, pode sim ser muito perigoso.

A segunda questão com os cachorros de sítio e rua é que, e essa é a dura verdade, caso algum deles venha a morrer por conta de um osso de frango, ninguém nunca vai saber. Cachorro rural e de rua morre é de morrido. Se for no mato é cobra se for na rua é atropelamento. Ninguém faz autópsia nesses animais.

Já a veterinária Sylvia Angélico, que escreve o site Cachorro Verde e defende uma alimentação natural para os pets, nada de ração:

“os cães podem sofrer perfuração gastrointestinal ao engolirem aquele osso de coxa de galinha cozido que sobrou do almoço do dono. É o osso cozido, frito ou assado que não pode em hipótese alguma ser oferecido ao animal. O calor muda a composição do osso, tornando-o mais rígido e perigoso. Já ossos crus são bastante seguros. Se não fossem, a dieta dos carnívoros selvagens, à base de carnes e ossos, os levaria à morte e à extinção.”

Bom, então não, eu não posso transformar meu pet em composteira de ossos, mas posso dar osso cru.

E os ossos de mamíferos, podem?

“Aí, sim”, o biólogo Fernando responde com tranquilidade.

“No meu Pet Shop eu vendo osso de boi e de porco defumado. Os cachorros adoram.”

A doutora Sylvia recomenda começar oferecendo peças com ossos molinhos e pequenos, ótimos para cães iniciantes. E, para os mais acostumados, é legal oferecer ossos grandes (como “joelho” de boi) uma vez por semana, para que os cães roam e limpem os dentes e as gengivas.

Trending Animals, http://www.trendinganimals.eu/2016/03/06/wees-heel-voorzichtig-een-hond-is-bijna-gestorven-door-met-zijn-been-te-spelen/

E os gatos?

Fernando diz que os gatos são muito diferentes dos cachorros. Quem convive com ambos sabe disso. Os gatos não são vorazes como os cachorros. Eles são muito cuidadosos para comer.

Se você der um osso para um gato, ele provavelmente vai ficar lambendo, arrancando só as pelinhas, com muita prudência. Os gatos que matam passarinhos na maioria das vezes não chegam a comê-los, o fazem mais por instinto mesmo.

Conclusão

Bom, dúvida sanada. Não dê ossos cozidos ou assados para seus animais. Evite os ossos de aves. Mas pode dar ossos crus de mamíferos como bois, porcos ou coelhos ou defumados, como Fernando sugeriu.

E lembre-se, lobos, raposas e cachorros selvagens comem ossos de suas caças há milhares de anos. Eles não desossam a presa, mas também não cozinham.

Fonte(s): Pet Shop Equilíbrio Zoo, Cachorro Verde
Roberta Nader
Ativista pra mudar o mundo. Roteirista, cronista, editora, observadora de bichos e plantas, mergulhadora, leitora compulsiva. Viajante dos mundos: o nosso e o meu. mais em: robertanader.com

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