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Vai, planeta!

Calça Jeans: a terrível verdade por trás da peça mais básica do guarda-roupa

A fabricação de uma calça consome 14 anos de água – sem contar os agrotóxicos.

  • A fabricação de uma calça jeans pode envolver 10 mil litros de água.

  • O cultivo de algodão fez com que o Mar de Aral virasse deserto.

  • Algodão é o quarto maior consumidor de agrotóxicos do mundo.

Já parou pensar no impacto ambiental que suas roupas têm? Além da água que você ingere diretamente, tudo que consumimos envolve água no processo, desde uma maçã a um automóvel.

O cálculo de gasto direto e indireto de água no processo de plantio, colheita ou mesmo fabricação das coisas recebe o nome de pegada hídrica, que é basicamente o “rastro” de consumo d’água que um item deixa no Planeta.

A indústria da moda é uma das que mais consome água para fabricação de suas peças. Os gastos vão desde a plantação e irrigação do algodão (jeans clássico é 100% algodão) até os processos de tingimento e finalização das peças. Isso tudo, além de consumir água de maneira direta, gera resíduos químicos.

Uma peça polêmica nesse cenário é o jeans, que precisa de muito mais água do que possamos imaginar. Muito mais! A fabricação de uma única calça jeans pode envolver até 10 mil litros de água – o equivalente a quase 14 anos de água para consumo direto (com a média de 2 litros por dia).

Apesar de corresponder a apenas 2% dos outros cultivos da agricultura, o cultivo de algodão já causou alguns estragos significativos no mundo, por exemplo, a exploração desmedida do Mar de Aral fez com que ele virasse praticamente um deserto. Apenas 10% dos 60 mil km² de água restaram daquele que já foi considerado o quarto maior lago do mundo – tudo isso para abastecer as plantações de algodão da região.

Mar de Aral antes e agora.

Já sabendo as quantidades absurdas de água que podem ser envolvidas na fabricação das suas roupas – e não falamos apenas do jeans: uma simples camiseta pode deixar uma pegada hídrica de quase 3 mil litros de água -, a gente precisa adotar novos hábitos.

Parte da indústria têxtil já vem demonstrando preocupação com o consumo exagerado de água no processo de produção e revendo alguns processos, como realização de limpeza das peças com Máquina de Ozônio em substituição à lavagem tradicional.

Vale dizer que enquanto o algodão representa cerca de 90% de todas as fibras naturais utilizadas na indústria têxtil (incluindo aquela sua calça jeans bacana), segundo relatório da Pesticide Action Network (PAN), é o quarto maior consumidor de agrotóxicos do mundo.

Ou seja, além da questão da água, essa produção envenena trabalhadores rurais, contamina de rios e água subterrânea, bem como acaba com a biodiversidade local. O próprio Instituto C&A reconhece e faz um alerta:

“Temos também bons motivos para acreditar que a extensão do problema é bem maior do que a relatada e que pesticidas proibidos continuam sendo usados em muitos países em desenvolvimento.”

Já existem opções de jeans sustentáveis, feitos com algodão orgânico ou pedaços de jeans reciclados, que utilizam pigmentos naturais e água reutilizada na fabricação das peças. Nem todos, infelizmente, conseguem optar por esses produtos, seja por questões econômicas ou por  falta de acesso a eles. Entretanto, podemos minimizar o impacto ambiental das peças que já temos em casa.

Algumas dicas práticas e facilmente aplicáveis:

  • Lave suas roupas com menor frequência – isso vale para o jeans (que nem é recomendado ser lavado) ou outras peças (muitas vezes um pouco de sol é suficiente para deixar elas prontas para usar novamente);
  • Acumule uma boa quantidade de roupas para lavar – nada de ficar lavando roupa à prestação, aproveite o ciclo da máquina e lave tudo de uma vez;
  • Sempre que possível, opte por sabões naturais – eles agridem menos o meio ambiente;
  • Leia as etiquetas – não leva muito tempo e assim você consegue seguir à risca as orientações do fabricante;
  • Compre em brechó, e aposte em produtos sustentáveis – sempre que possível.
  • Evite comprar jeans, e diminua o consumo de forma geral – sempre.

 

Fonte(s): Menos um Lixo, Eu Penso Meio Ambiente, BOL, Vogue, Mundo Educação, Portal ECOERA, eCycle, Instituto C&A
Daiane Oliveira
Jornalista, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

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