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Qual o efeito do LSD no nosso cérebro, segundo a neurociência

Um passo importante para entender mais a fundo como o cérebro humano trabalha.

Quando as drogas entram em debate, o tabu, a divergência de opiniões e o preconceito vêm junto. Ainda que existam pessoas com opiniões que não vão de um extremo ao outro, o meio termo parece ser difícil de ser encontrado.

De fato, é impossível negar o que os efeitos podem trazer para a vida de usuários, porém, o SOS já falou sobre o outro lado da moeda, mostrando as ações e benefícios que algumas delas, principalmente as psicodélicas, alucinógenas ou enteógenas, como a Ayahuasca e os Cogumelos, podendo ajudar não só de forma pessoal, como científica.

Dietilamida do ácido lisérgico. Por seu nome científico pode parecer estranho para muitos, porém, basta chamar por seu apelido que a maioria das pessoas sabe o que é. Sintetizada pela primeira vez em 1938 pelo cientista Albert Hofmann, o LSD, hoje em dia, é conhecido pelos pequenos pedaços de papéis coloridos, ou pelas gotinhas que fazem a mente “viajar”.

LSD mais conhecido: ‘Biker’

Os efeitos mais conhecidos da “viagem” de LSD são as alucinações, além de uma percepção diferente do mundo ao redor.

A ciência por trás do LSD

Porém, fora do âmbito recreativo, estudos sobre como essa droga age na mente humana, vêm trazendo novas perspectivas para a utilização do ácido no meio científico. É o caso do artigo publicado na publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos em 2016.

No estudo, a equipe de pesquisadores buscou, além de mostrar como o LSD altera a forma como nosso cérebro trabalha, se aprofundar em como o uso de drogas lisérgicas podem ajudar e abrir espaço para pesquisas futuras sobre os efeitos que elas trazem para a mente humana.

Para isso, 20 participantes foram selecionados e em cada um deles foi injetadas 75 microgramas do ácido, uma dose baixa que não os deixou “fritos” por completo, porém, era suficiente para que a forma como o cérebro delas normalmente funcionam fosse alterada. O acompanhamento dessas alterações foi realizado através de uma máquina de ressonância magnética.

De acordo com os pesquisadores, os poucos estudos existentes na área demonstram um dos tabus que pairam sobre o LSD, que por muitos é considerada como uma “droga super potente”, que acaba dificultando a licença legal para acessar o alucinógeno para estudos.

Mas e ai, o que acontece na cabeça de um “frito”?

O caos que se instala em nossa mente, e toda a “lombra” de LSD tem uma explicação lógica. Várias partes do nosso cérebro atuam em conjunto, até que os efeitos clássicos como as alucinações e a percepção diferente de cores e texturas comecem a aparecer.

Em nosso cérebro existem várias partes responsáveis por uma área especifica. Uma delas é a que controla o nosso pensamento abstrato, porém, quando nossa mente está sob o efeito da droga, esse mecanismo é interrompido, fazendo com que as diferentes regiões do cérebro passem a se comunicar de forma mais livre, diferente do que acontece normalmente.

Sistema responsável pelo controle do pensamento abstrato:

Love Science - Facebook, https://www.facebook.com/LoveSciencebyQuartz/videos/885584014931192/?v=885584014931192

Regiões do cérebro se comunicando de forma diferente:

Love Science - Facebook, https://www.facebook.com/LoveSciencebyQuartz/videos/885584014931192/?v=885584014931192

Com essa alteração na forma como o cérebro se comunica, é que surge um dos principais e mais conhecidos efeitos do LSD: as alucinações.

Esse processo é desencadeado, principalmente, por duas partes do cérebro humano. A região responsável pelo o que vemos e imaginamos e a que codifica nossas memórias e as transforma em imagens, o córtex-visual.

Sob o efeito da droga, essas áreas, assim como várias outras, estão se comunicando de forma anormal. Isso faz com que as funções em nossa mente aconteçam de forma diferente. É como uma reação em cadeia: a primeira parte transmite o que estamos imaginando para a segunda, que exerce o papel de codificar através de nossas memórias e, por sua vez, emitem sinais novamente para a primeira parte, que trabalha com o processamento visual.

Todo esse processo resulta em visões complexas ou alucinações, pois, o cérebro não está trabalhando normalmente, e sim de forma estimulada, com conexões mais amplas.

Região do cérebro responsável pelo o que vemos e imaginamos:

Parte que cuida de nossas memórias e da codificação de imagens:

Sob o efeito do LSD, quando as informações são repassadas para o córtex visual, com a comunicação alterada, enxergamos de forma diferente (alucinações):

Outro ponto notado pelo estudo trata da perda de percepção do senso se “si”.

De acordo com os pesquisadores, isso ocorre pois as redes que mantém o cérebro em ordem acabam se desintegrando quando a mente está sob o efeito do LSD, fazendo com que elas não se relacionem de forma desordenada, causando uma mistura de impressões visuais e idéias, fazendo com que os pensamentos e o mundo exterior possam ser confundidos como a mesma coisa.

Sistemas integrados que mantém a “ordem”:

Sistemas se desintegrando:

Sistemas se comunicando de forma anormal:

O LSD como aliado no combate a doenças e no entendimento do cérebro humano

O estudou buscou não somente avaliar a forma como o LSD afeta a mente humana, como também os benefícios que esses efeitos podem trazer para o campo cientifico. O SOS fez alguns artigos sobre eles, leia aqui e aqui.

Além de abrir a mente, um ponto levantado foi o poder do lisérgico em fazer com que as pessoas saiam de seus padrões típicos de pensamento, o que poderia auxiliar nos avanços de tratamentos como depressão, alcoolismo e outros transtornos.

Segundo o estudo, apesar das dificuldades em estudar as formas que o LSD age na mente humana, com a permissão para o acesso a droga e até mesmo a alteração que o ambiente dos laboratórios pode trazer aos voluntários e, consequentemente, para os resultados – afinal, é bem diferente consumir a droga em um local calmo, divertido e/ou com música, do que dentro de uma máquina em um laboratório -, esse tipo de estudo pode ser um passo importante para entender mais a fundo como o cérebro humano trabalha; sem tabus, apenas ciência.

Fonte(s): Love Science - Facebook, PNAS
Junio Silva
Jornalista, cronista, e ex-futura promessa do futebol.

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