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A Melhor Dieta do Mundo, segundo os melhores nutricionistas do planeta

Foram analisados hábitos alimentares e o impacto da produção no meio ambiente.

Você já parou para pensar como vai estar sua saúde em alguns anos, considerando sua alimentação atualmente? Mais do que isso, e o meio ambiente? Já imaginou o impacto diário de sua dieta na natureza?

Cientistas calculam que em 2050 seremos 10 bilhões de pessoas habitando o planeta. É possível alimentar tantas bocas sem acabar com os recursos do planeta? Um grupo de especialistas realizou um estudo sobre o assunto e comprovou que, sim. É possível.

Ufa!

Mas para isso, algumas mudanças devem ser realizadas, como a implantação da melhor dieta do mundo, a Dieta de Saúde Planetária.

O estudo sobre alimentação sustentável

Trinta e sete dos profissionais mais renomados da área de nutrição e sustentabilidade conduziram um estudo – financiado pela Fundação EAT – em que foram analisados hábitos alimentares e o impacto da produção de alimentos no meio ambiente.

O estudo foi apresentado na Noruega em 17 de janeiro deste ano e publicado na revista científica britânica Lancet. Nele constatou-se que mais de 820 milhões de pessoas têm uma alimentação insuficiente ou de baixa qualidade, causando deficiências no organismo.

Também notou-se que o consumo excessivo de carne vermelha e alimentos processados é capaz de provocar mais riscos à saúde do que o álcool, tabaco, drogas e sexo sem proteção, todos JUNTOS!

Seu relatório final apontou que para salvar a população e o planeta, é necessário alimentar todos os indivíduos sem destruir o meio ambiente. Consumir o dobro de frutas, legumes, castanhas e verduras. Além disso, deve-se reduzir pela metade a ingestão de carne vermelha e açúcares até 2050.

Mas para que isso seja possível, deve-se realizar uma profunda mudança não só na alimentação, como também no modelo de produção para cumprir compromissos contra a mudança climática, como o Acordo de Paris e outros.

Os pesquisadores também sugerem a adoção de 5 estratégias para mudar a mudança na dieta da população:

  1. Incentivar o hábito de ter uma alimentação saudável;
  2. Realizar uma mudança na produção global de alimentos;
  3. Impulsionar a agricultura sustentável;
  4. Enrijecer as regras sobre administração de terras e oceanos;
  5. Reduzir o desperdício de alimentos.

Dieta de Saúde Planetária: a melhor dieta do mundo

Veja abaixo o que seria permitido comer em 1 dia, em ordem de quantidade:

  • Legumes e verduras – 300g;
  • Laticínios – 250g (1 copo de leite);
  • Carboidratos – 232g;
  • Frutas – 200g;
  • Vegetais leguminosos – 75g;
  • Legumes e Verduras ricos em amido – 50g;
  • Frutas oleaginosas – 50g;
  • Óleos (como azeite) – 50g;
  • Açúcares – 31g;
  • Carne branca – 29g;
  • Carne vermelha – 14g;
  • Ovos – 13g.

1 – frutas oleaginosas | 2 – vegetais leguminosos | 3 – carne branca | 4 – Ovos | 5 – carne vermelha | 6 – carboidratos, legumes e verduras ricos em amido | 7 – laticínios | 8 – legumes, verduras e frutas.

A dieta proposta seria capaz de evitar 11 milhões de mortes prematuras relacionadas à alimentação, por ano. Ainda que exista discrepância na alimentação em função da cultura e área geográfica, uma região poderia equilibrar a outra. Temos como exemplo a Indonésia, onde a quantidade de carne e produtos lácteos é pouco consumida, ao contrário dos Estados Unidos e Brasil.

Segundo o relatório também recomenda-se a eliminação de alimentos não saudáveis das prateleiras de supermercados, ou então aumentar os impostos sobre eles na intenção de induzir as pessoas a decidirem pelas opções saudáveis.

Uma das especialistas da Comissão EAT-Lancet e membro do Centro Hoffmann, Sonja Vermeulen, mostrou-se otimista ao dizer que já foram vistas grandes mudanças na alimentação mundial no passado, por isso é possível realizar outra grande no futuro.

Sonja ainda citou o exemplo do México ao adotar impostos para reduzir o consumo de refrigerantes. Um dos principais autores do relatório, o médico e pesquisador nutricional Walter Willett, esclareceu à CNN como os hábitos devem mudar:

as pessoas devem comer uma variedade de alimentos à base de plantas, reduzir a quantidade de alimentos de origem animal e de alimentos altamente processados e com açúcares adicionados, diminuir grãos refinados e trocar gorduras insaturadas pelas saturadas.

A principal mudança na melhor dieta do mundo é a diminuição substancial de carne, permitindo o consume de apenas 14 gramas diárias de carne vermelha, ou o dobro desse valor de carne branca. O consumo de produtos lácteos também seria diminuído.

O restante das proteínas seriam de frutas oleaginosas (amêndoas e castanhas) e vegetais leguminosos (feijão, lentilhas, grão de bico). Para completar, a porção ganharia carboidratos (arroz, pão, macarrão), legumes e verduras ricos em amido (batata), e frutas.

A alimentação na prática

A editora britânica de saúde da BBC, Laurel Ives, resolveu adotar por alguns dias a dieta com sua família, constituída por duas filhas adolescentes e o marido vegetariano, Johnny. Como resultado, Laurel percebeu que pequenas mudanças podem ser facilmente realizadas:

“nossa família está longe de ser considerada fiel a dieta, mas o foco no plano nos levou a mudanças saudáveis: temos comido mais frutas e vegetais e cortamos boa parte do consumo de carne vermelha, derivados de leite e açúcar”, diz a britânica.

Laurel e as filhas

Johnny observou que mesmo para um vegetariano, algumas renúncias devem ser feitas:

“não foi muito difícil para mim. Mas foi interessante notar que até mesmo um vegetariano talvez precise abdicar algo de sua dieta. A regra de apenas um ovo por semana foi um pouco difícil.” 

O impacto na agricultura e pecuária

A comissão EAT-Lancet alerta para a urgência de uma mudança agrícola, já que a produção mundial de alimentos ameaça o equilíbrio climático e a resiliência dos ecossistemas. Pudemos ver em uma matéria já publicada aqui no SOS, que a agropecuária é responsável por 69% da produção de gases do efeito estufa no Brasil.

Além disso, são utilizados em média 17 mil litros de água para cada quilo de carne produzido, e 83% das áreas cultiváveis no país são utilizadas somente para a criação de animais. Não podemos esquecer também que das terras desmatadas na Amazônia, 70% dela é utilizada para pasto.

Segundo o correspondente de Meio Ambiente da BBC, Matt McGrath, a utilização da terra para cultivar alimentos e silvicultura representa cerca de um quarto das emissões de gases de efeito estufa no mundo.

Quase a mesma quantidade que o aquecimento e a eletricidade, e mais que todos os aviões, trens e automóveis do planeta. Ainda de acordo com Matt, a agricultura é um dos principais agentes causadores de emissões de metano e óxido nitroso, colaborando também para o aquecimento global.

A agricultura também é uma fonte significativa de poluição do ar gerada pela amônia nas fazendas, uma das principais causas das partículas finas, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz ser uma ameaça à saúde em todo o mundo.“, completa o correspondente.

Argumentos contrários a dieta

O estudo despertou também algumas críticas e opiniões contrárias após sua publicação. Uma delas é relacionada a diminuição considerável nas porções de carne, a principal fonte de proteína de muitas famílias.

O professor da McMaster University no Canadá, Stuart Phillips, em declaração ao jornal Telegraph apresentou sua opinião:

“os seres humanos, especialmente quando envelhecemos, não podem ficar sem proteína. A recomendação da Comissão é um afastamento drástico das evidências que mostram que a carne e os laticínios melhoram as dietas.”

Vale lembrar que o SOS já publicou um artigo sobre o tema. Leia aqui.

Outros especialistas enxergam o aumento nas taxas de alimentos não saudáveis, o que foi sugerido pelo estudo, como uma privação dos direitos de escolha dos consumidores.

Mesmo reconhecendo que adotar a dieta será um grande desafio, o próximo passo dos especialistas responsáveis pela pesquisa será apresentar as descobertas realizadas a governos de países de todo o mundo.

Organizações globais como a OMS também vão começar a desenvolver iniciativas que sejam capazes de modificar os hábitos alimentares, preocupando-se com a saúde e a sustentabilidade do planeta. Chegou a hora de mudar.

Fonte(s): The Lancet, G1, El país, BBC
Eliza Inaê
Redatora freelancer, sagitariana e canhota. Apaixonada por séries, livros, Florence + The Machine, sol e comida. Aprendendo a bordar, enxergar o melhor nas pessoas, e a fazer uma bio maneira.

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