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Atitude Coletiva

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O que muda com a chegada do ano novo?

Em vez do ceticismo, aproveito a onda de felicidade geral para me encher de esperança.

Enrique Coimbra Publicado: 18/12/2015 18:32 | Atualizado: 18/12/2015 18:45

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islingtongazette

Primeiro quero dizer que o ano passou tão rápido que tirou minha virgindade, passou no mercadinho da esquina, comprou cola de secagem rápida e colou minha virgindade de volta no lugar.

E eu nem senti.

Não que a chegada do ano novo vá mudar alguma merda: é tudo psicológico. Nada de especial vai acontecer nessa data que não possa acontecer em qualquer outra, em qualquer dia, qualquer horário.

Só que em vez de olhar essa chance-mágica-pós-réveillon com ceticismo pessimista fale “ceticismo pessismista” em voz alta várias vezes, você vai enlouquecer, aproveito a onda de felicidade geral para me encher de esperança.

Ao menos um pouquinho.

Esse ano foi profundamente transformador. Dialoguei um bocado comigo mesmo, aprendi a respeitar minha vontade de dizer “não” e mais três coisas que já considero essenciais para não enlouquecer em todos os próximos anos de minha existência nesse planeta de doidos — e acho que só de pensar que ainda não estou maluco, acho que já estou maluco(!).

1. Menos orgulho e mais diálogo clareou minha visão de que cada pessoa é realmente-fatalmente-absurdamente única e que não entendo tudo sobre todo mundo. Dentro disso, apreciei a virtude da paciência, sabe? Da empatia. De entender que algumas pessoas não mudarão e que dar murro em ponta de faca criando expectativas fadadas a desmoronar é autossabotagem.

2. Quando parei de temer as consequências da honestidade, curti com orgasmos múltiplos a leveza que dizer a verdade estimula. Não tem coisa melhor do que não precisar inventar desculpas para não ir à casa de alguém dizendo, naturalmente: “não estou no disposto”Franqueza não precisa ser acompanhada de grosseria, então não me entenda mal. E nem toda verdade precisa ser dita — a não ser que seja para mim mesmo.

3. Domar minha necessidade de aprovação e, ao menos, aceitar como meu corpo é (ou como está) me torna um ser humano mais tranquilo. Aproveitar a praia sem camisa, podendo respirar sem complexos de inferioridade, é assustadoramente mais divertido do que morrer de calor dentro da regata ou de precisar nadar com um monte de pano puxando o corpo na correnteza.

Não me pressionar a malhar para ter os músculos perfeitos no verão, ou não me odiar por não ter feito as sobrancelhas há semanas, faz com que eu aproveite como pareço para mim e o que posso me tornar a partir da minha vontade, não do senso comum.

E um mantra recorrente na minha mente, a lição de todas as lições, é não me arrepender dos meus erros. Não sou definido por quem fui e não sou o que serei. Eu sou minhas atitudes agora, caindo e levantando como qualquer um, pois erros são ótimos professores. A eficácia do aprendizado depende do aluno.

Tento não depender de gatilhos externos para mudar o que me incomoda em minha realidade, mas acho saudável permitir que a alegria de outras pessoas numa das festas mais divertidas do ano me ajude a sorrir um pouco mais e acreditar, numa ilusão gostosa, que depois da meia-noite tudo será diferente.

Não sei quanto ao mundo, mas eu quero ser diferente.

Sempre para melhor. Sempre para mim. ♥

Enrique Coimbra
"Sem H" mesmo. Escreveu os livros "Sobre um garoto que beija garotos", "Um Gay Suicida em Shangri-la" e "Os Hereges de Santa Cruz". Também grava vídeos para o canal "enriquesemh" do YouTube, é capista, e criou o site Discípulos de Peter Pan , sobre comportamento e bem-estar!

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