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A banana como a conhecemos está com os dias contados

E não tem muito o que a gente possa fazer.

Na hora da fome, nada mais prático do que uma banana. Mas saiba que, mesmo com as prateleiras nos supermercados lotadas com a fruta amarela, elas podem estar com os dias contados. E isso nos próximos dez anos!

Apesar de assustador, isso foi revelado já faz algum tempo. Há cerca de vinte anos, pesquisadores estadunidenses se debruçam sobre essa ameaça de extinção das bananas produzidas na América do Sul. É o que mostra este artigo do veículo de divulgação científica Popular Science, de autoria da repórter Ellen Airhart, especializada em ciência.

Banana artificial

As bananas são domesticadas pela humanidade há mais de 7 mil anos. O tipo encontrado nos mercados foi selecionado artificialmente pelas civilizações justamente pelo sabor e praticidade de consumo.

No entanto, as Cavendish (tipo mais comum que engloba ‘prata’ e a ‘nanica’) não possuem sementes, ou seja, são inférteis. Portanto, para plantar a bananeira você precisa de uma muda da própria planta. Resumindo, todas as bananas são a mesma, só que clonada.

Apesar do tema já estar no cardápio dos cientistas há quase duas décadas, apenas recentemente a questão se tornou o prato principal dos estudiosos da área de alimentos. Isso porque pesquisas do Instituto Colombiano Agropecuário (ICA) confirmaram a presença de fungos letais para a bananeira na região nordeste do país.

Histórico preocupante e um futuro incerto

Em 1830, os Estados Unidos passaram a importar banana do Caribe, depois de um tempo a fruta caiu no gosto da população pelo sabor e comodidade. Naquela época, era a variedade Gros Michel que dominava o mercado.

Eis que no Panamá, no início do século XX, foram registradas anomalias em bananeiras desse tipo. Como todas eram clones, praticamente todas as plantações foram destruídas. O fungo que causava a doença ficou conhecida como mal do Panamá.

Como não havia diversidade genética, não existiam plantas resistentes à doença, e as bananas Gros Michel (que não podiam mais ser produzidas) tiveram de ser substituídas pelas Cavendish, que eram resistentes à doença.

Mas agora, com uma mutação no fungo, essa modalidade da fruta ficou suscetível ao mal do Panamá, deixando-a propensa à extinção.

Mal do Panamá

O patógeno, ou causador da mazela, tanto há 200 anos quanto agora, é conhecido como Tropical Race 4 (TR4), e provoca a doença do Panamá nas bananas. Os sintomas são indigestos: os galhos que prendem as folhas ao tronco murcham, a seiva da planta escurece, o caule se parte e a planta inteira cai.

Uma bananeira afetada entre um campo de plantas saudáveis ​​nas Filipinas.

Se nada for feito para controlar a praga, com a chegada do TR4 à América do Sul, a tendência é que o fungo se espalhe por todo o continente e acabe destruindo as bananas como a maioria dos consumidores as conhecem.

Por isso, a humanidade precisa de uma nova variedade de banana. O biólogo e divulgador científico Davi Calazans, do canal Ponto em Comum, explica que sem uma variedade genética, toda a produção fica vulnerável pois nenhuma conta com um fator de resistência à doença que poderia representar uma vantagem evolutiva.

Visando não só a manutenção dessa espécie, mas também o lucro, grandes empresas produtoras da fruta estão colaborando com as pesquisas que pretendem desenvolver uma nova variedade que seja resistente ao TR4. Contudo, demoraram muito para agir.

Ciência contra-ataca

A Dole Food, maior produtora de frutas e vegetais do mundo, que tem até filiais no Brasil, iniciou um programa de melhoramento genético de bananas. Um dos responsáveis pela iniciativa é Massimo Iorizzo, pesquisador, professor no Instituto de Plantas para a Saúde Humana (EUA) e colaborador da multinacional.

Segundo o especialista disse ao Popular Science, um dos objetivos das análises é compreender os processos genéticos por trás do desenvolvimento de uma resistência à doença. A partir disso, ele pretende traçar uma estratégia para transmitir essa característica à descendência dessa planta, aumentando sua população.

Uma iniciativa parecida também é realizada na Austrália, onde os cientistas já obtiveram um progresso significativo na modificação genética da banana. Para Iorizzo, pesquisas como essas já estão atrasadas. Uma vez que as bananas produzidas até então não tinham problemas, não havia preocupação de encontrar uma nova variedade.

“Por muitos anos, a indústria de produção de bananas se deu bem com apenas um genótipo. Eles pensaram: já temos o que precisamos, para quê gastar com outro?”, disse.

Além disso, a pesquisa para a elaboração de uma nova banana leva tempo. “Não é fácil estabelecer experimentos replicáveis com patógenos em geral”. O pesquisador precisa garantir que o fungo utilizado nos testes de laboratório provoque a mesma doença que nas plantas que estão fora do ambiente controlado. Polinizar as bananeiras e esperar que elas cresçam também pode levar anos.

“Uma grande quantidade de dinheiro é investido, é preciso assegurar de todas as formas que o experimento pode ser bem-sucedido”, frisou Iorizzo.

Portanto, enquanto as pesquisas dele e de outros grupos de cientistas progridem, as bananas resistentes ao mal de Panamá ainda não estarão prontas para ocupar as prateleiras.

A mazela vai atingir primeiro as bananas Cavendish, que são vendidas nos mercados atualmente. Mas outros tipo da fruta também podem ser infectados. Foi o que aconteceu em 1960, quando a doença do Panamá contaminou as bananas Gros Michel. Por causa desse episódio, a indústria substituiu as Gros Michael pelas Cavendish, menores e menos saborosas.

Em 2005, outro repórter da PopSci, Dan Koeppel, acompanhou uma vistoria da Fundação Hondurenha de Investigação Agrícola (FHIA) liderada pelo botânico Juan Fernando Aguilar. O centro de pesquisa desenvolve novas variedades de bananas que podem substituir a Cavendish quando essas não estiverem mais disponíveis.

Naquela ocasião, Aguilar afirmou que a doença atingiu a América do Sul antes que eles pudessem encontrar uma boa variedade substituta para o cenário mais desastroso. “O que aconteceria é que as pessoas teriam de mudar seu hábito, para maçãs”, disse o pesquisador.

A FHIA agora trabalha na elaboração de tipos híbridos com sabor e prazo de validade semelhantes aos da Cavendish. Por hora, nem ele ou outras organizações encontraram o milagre para salvar as bananas como as conhecemos.

Fonte(s): PopSci, PopSci (2), Ponto em Comum, ICA, Plants for Human Health
Jessica Moura
Jornalista, curiosa, aprendiz de cozinheira e astrônoma.

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