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Atitude Coletiva

8 Dicas de Segurança para LGBTIs que estão se sentindo ameaçados (após as eleições)

As dicas foram elaboradas por setores da inteligência da segurança pública.

De acordo com a Anistia Internacional, Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTs no mundo. Segundo o relatório publicado pela ONG Transgender Europe (TGEu), vivemos no país com maior número de registro de homicídios de pessoas transgêneras.

Nos últimos meses, essa violência cresceu ainda mais por motivação política.

Grupo Gay Bahia (GGB), coleta estatísticas sobre assassinatos de LGBTs no país há 38 anos, e em 2017, observou um aumento de 30% nesses homicídios em relação ao ano anterior.

O grupo também revelou em um levantamento realizado, que somente no primeiro trimestre de 2018, 126 mortes de LGBTs foram registradas no Brasil.

Desde o primeiro turno das eleições deste ano, os relatos em redes sociais sobre agressões à LGBTIs e demonstrações de intolerância política aumentaram. Postagens repercutiram denúncias de atos violentos que circularam na rede e em jornais.

A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas realizou um levantamento mostrando que houveram 2,7 milhões de postagens sobre agressões por motivação política pós primeiro turno, contra 1,1 milhão nos 30 dias anteriores à eleição.

Na intenção de dar visibilidade aos casos de agressões postados e reunir forças para combater a violência, o produtor de moda Felipe Lago criou o perfil no Instagram ‘Ele não vai nos matar‘.

Segundo Felipe, em entrevista para o HuffPost Brasil“A ideia é unir forças e possivelmente dar algum suporte. Vários advogados e psicólogos estão em contato e nós pretendemos montar um grupo de apoio e não só de denúncia para ajudar as pessoas. O sentimento é que nós precisamos nos unir contra o medo e o retrocesso”.

Publicação de um colaborador no perfil do Instagram “Ele não vai nos matar”

O Ministério Público Federal ainda iniciou a apuração da denúncia realizada pela Aliança Nacional LGBTI contra um jogo criado em que o presidente eleito aparece espancando LGBTIs, mulheres e negros.

Com o final das eleições e a vitória de Jair Bolsonaro, além de ataques e violência física e verbal nas ruas, também surgiram inúmeras ameaças por mensagens nas redes sociais, além da organização de grupos propondo violência e morte aos de LGBTs.

Apesar do próprio Bolsonaro dizer que é “coitadismo” por parte da comunidade LGBT, muitos casos de agressões e assassinatos ligados à eleitores do presidente eleito aconteceram nas últimas semanas.

A transexual Jullyana Barbosa foi agredida em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, após gritos homofóbicos e de apoio a Bolsonaro foi atingida na cabeça com uma barra de ferro. Em depoimento, Jullyana contou sentir-se impotente, pois as pessoas em volta assistiam a agressão sem ajudar.

O cabeleireiro José Carlos Oliveira Matos, foi assassinado por um eleitor de extrema direita que o emboscou em um aplicativo de encontros.

Três transexuais foram brutalmente assassinadas por motivação política. Em todos os casos, foi observado que durante ou após os crimes, os criminosos, agindo sempre em grupos, usavam discursos de ódio e homofóbico, e exaltavam a figura de Bolsonaro.

Protesto na parede do hotel onde a transexual Priscila foi assassinada por motivação política

Garantindo a segurança em um país homofóbico

Por esses motivos, a 2ª sargenta da Marinha do Brasil Bruna Benevides, primeira transexual em atividade nas Forças Armadas Brasileiras, e o bombeiro e policial Militar de São Paulo, Tiago Leme Lisboa, membros da RENOSP-LGBTI, criaram em acordo com outros membros, a cartilha de segurança LGBTI, na intenção de oferecer dicas sobre ações realizadas no cotidiano que podem minimizar os riscos de exposição à situações de violência.

A cartilha trata-se de um material criado com linguagem neutra e simples, elaboradas por diversos agentes e setores da inteligência da segurança pública. Na intenção de garantir o respeito de pessoas não-binárias e ser facilmente acessível para todos os públicos.

Trás dicas simples de segurança para pessoas LGBTIs que podem ser aplicadas de maneira natural no dia-a-dia, evitando situações que possam acabar em violência em todos os âmbitos. Confira as dicas contidas na cartilha.

 

8 Dicas de Segurança para LGBTIs

1. Esteja sempre atentx

Estar atentx é primordial para ter proteção ao andar nas ruas. Evite distrair-se falando ao telefone ou usando fones de ouvido, principalmente em lugares aglomerados e quando estiver sozinhx.

 

2. Evite andar sozinhx

Evite andar sozinhx, principalmente a noite. Esteja sempre em grupos de amigos que você conheça. Marque encontros em locais públicos e evite o abuso de álcool e drogas.

 

3. Mande sua localização para alguém de confiança

Utilize aplicativos para marcar sua localização em tempo real quando estiver fora de casa e em lugares diferentes do seu trajeto usual. Quando marcar um encontro, avise alguém de confiança e passe o local e horário para que a pessoa monitore sua segurança.

 

4. Cuide-se e ajude a cuidar dos outros

Fique atentx à outrxs LGBTIs em espaços públicos, transportes, e outros locais, para situações de violência. Caso presencie algo, tente prestar apoio, cuidando sempre de sua segurança. Se for possível, filme ou peça para alguém filmar. Assim, é mais fácil identificar os agressores.

 

5. Não reaja a qualquer provocação

Evite entrar em embates ou reagir a xingamentos, insultos ou provocações. Também não deixe de pedir ajuda caso esteja se sentindo insegurx.

 

6. Evite usar aplicativos de transporte sozinhx

Caso precise utilizar serviços de táxi ou transporte por aplicativos durante a madrugada, procure dividir com alguém sempre que possível. Ainda assim, tente pegar carona com amigos, mesmo que seja a pé.

 

7.  Procure o ponto de ônibus mais movimentado

Evite ficar sozinho em pontos de ônibus especialmente à noite, e procure sempre o ponto mais movimentado. Em transportes públicos, sente-se em bancos próximos ao cobrador ou motorista e em assentos do corredor. Assim você consegue ter o controle de quem senta ao seu lado ou pode trocar de lugar caso sinta-se ameaçadx.

 

8. Procure as autoridades sempre que necessário

Caso passe por alguma situação de violência, discussão, briga, perseguição, procure uma delegacia e faça o registro sempre! Para sentir-se mais segurx, vá a delegacia com alguém de sua confiança. Mantenha os números de telefones úteis sempre junto à você.

 

Mais detalhes sobre a Cartilha

De acordo com à 2ª sargenta Benevides, a necessidade de discutir sobre segurança pública é essencial, pois são identificadas muitas violações dos direitos humanos em relação à essa pauta.

Como membros da RENOSP LGBTI, a sargenta e o militar, juntos à outros membros, desenvolveram produtos como a cartilha. A intenção dessa ação foi contribuir com a segurança pública de pessoas LGBTI. A 2ª SGTª nos conta como surgiu a ideia:

“A cartilha nasce de diálogos e da situação de vulnerabilidade e exposição ao ódio gratuito, diversas formas de violência, seja física, simbólica, psicológica, que sempre acometeu as pessoas LGBTI.

É óbvio que tínhamos total responsabilidade enquanto operadores de segurança pública de pensar em formas de transformar dicas em cuidados que as pessoas podem ter minimamente no dia-a-dia.”

Tiago nos explica como foi a transformação para uma cartilha:

“No grupo do aplicativo de mensagens surgiu uma postagem da Bruna Benevides, um texto muito legal que ela tinha publicado. De imediato senti vontade de tornar esse texto mais dinâmico e que chegasse a mais pessoas, que chamasse e prendesse de alguma forma para que não passasse desapercebido.”

O policial foi responsável pela arte visual e conta que optou por cores que chamassem atenção mas que ao mesmo tempo transmitissem tranquilidade e liberdade para os leitores. Para que a leitura prendesse a atenção, o militar escolheu unir texto e figura em formato de cards. Assim, deu origem a uma cartilha formada por 18 páginas.

Criar a cartilha, segundo Bruna, foi a melhor maneira das pessoas terem acesso às dicas e sugestões de forma descomplicada em celulares e outros espaços para que sejam compartilhados.

Assim, cada vez mais pessoas podem ficar conscientes de que a segurança pública não é dever apenas do estado, mas de toda a sociedade. Diminuindo dessa forma, as violências cotidianas nas ruas, em casa e nos mais diversos espaços sociais.

Parcerias e produtos na atuação pelos direitos LGBTI

A RENOSP trabalha em parceria com as maiores redes de atuação pelos direitos da população LGBTI, como a ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) e a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos).

Com essas parcerias, serão lançados produtos, ações, discussões e seminários para construir políticas pensando em pautas, anseios e principalmente no enfrentamento da LGBTIfobia estrutural inserida na sociedade, nos conta a sargenta.

Ela ainda contou sobre o lançamento de mais um produto desenvolvido na intenção minimizar as violências à que pessoas LGBTIs estão expostas:

“Entre os dias 6 e 7 de dezembro acontecerá o encontro da RENOSP LBGTI. Nele, será lançada uma cartilha sobre Abordagem Policial para LGBTIs através da Segurança Pública.”

O policial está trabalhando na construção de outra cartilha sobre o preconceito velado. Esse material é uma maneira de ensinar pessoas que não são LGBTIs a entenderem que algumas frases do cotidiano podem magoar e machucar quem está próximo.

“Serão dicas de comportamento para pessoas não LGBTIs e até para pessoas que ainda estão no armário que acabam usando essas coisas ruins para não se expor e ficar longe.”, disse.

Para realizar o download da cartilha, basta clicar aqui.

Compartilhe a cartilha com amigos e amigas para ajudá-lxs a se sentirem mais segurxs e confiantes no cotidiano.

 

Fonte(s): Huffpost Brasil, Poe na Roda, O globo, Transrespect, Gay1, Observatorio G
Eliza Inaê
Redatora freelancer, sagitariana e canhota. Apaixonada por séries, livros, Florence + The Machine, sol e comida. Aprendendo a bordar, enxergar o melhor nas pessoas, e a fazer uma bio maneira.

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