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Atitude Coletiva

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10 Formas de sobreviver aos cortes na educação sendo aluno de baixa renda

Dicas de coach para você sair dessa numa boa! Alerta: contém ironia.

Em abril deste ano o governo de Jair Bolsonaro anunciou corte (ou contingenciamento, como preferir) das verbas discricionárias das Instituições Federais de Ensino. Foram quase R$6 bilhões retidos pelo governo.

Essa verba diz respeito ao montante não obrigatório, mas que é essencial para manutenção das atividades educacionais – o recurso é utilizado para pagar contas de água, luz, serviços terceirizados, compra de materiais, reparos em equipamentos e coisas do gênero.

É com as verbas discricionárias também que são mantidos os programas das universidades como bolsas de auxílio (permanência, alimentação, etc.) e também bolsas destinadas à pesquisa acadêmica.

Como o dinheiro para tudo isso diminuiu, está cada vez mais difícil para que estudantes, em especial de baixa renda, consigam desempenhar com excelência suas atividades acadêmicas. Pensando nisso, preparamos um verdadeiro guia de sobrevivência para que seja possível superar esses tempos no mínimo difíceis.

1. Fecharam os restaurantes universitários?

Treine seus dotes culinários e leve marmita! Miojo, ovo e salsicha rendem um cardápio completo.

Em função da redução do orçamento, a Universidade Federal Do Paraná (UFPR) fechou os restaurantes universitários (RUs) durante o mês de julho. Alunos que realizavam suas refeições no RU precisaram se adaptar a essa medida.

Levar marmitas ou mesmo almoçar na casa de colegas é uma alternativa, já que mesmo para quem recebe algum tipo de bolsa (R$400), outros restaurantes estão completamente fora de cogitação.

Na Universidade Federal do Acre (Ufac), onde mais de R$13 milhões foram bloqueados, a expectativa é pior: a previsão é que o RU seja fechado permanentemente.

 

2. Transporte do câmpus está comprometido?

Segundo os coachs, pedir carona é uma excelente maneira de conhecer gente nova!

Algumas Universidades possuem mais de uma unidade na mesma cidade e, para que os alunos transitem entre uma unidade e outra, elas mantém uma pequena frota de ônibus.

Na Universidade Federal de São Paulo, três ônibus que realizavam o trajeto entre prédios de Diadema e um bairro mais afastado quebraram. Sem recursos, a Universidade não conseguiu substituir os veículos.

Na Universidade Federal do ABC (UFABC), o transporte do câmpus também está comprometido. Ao Estadão, alunos da UFABC contaram que tentam ajudar no combustível de colegas que possuem carros, em troca de caronas; ou mesmo dividem corridas por aplicativos entre outros estudantes.

Nenhuma das alternativas, é claro, estava prevista no orçamento dos acadêmicos.

 

3. Bolsas de monitoria foram suspensas?

Segundo os bancos, uma boa maneira de treinar seu poder de economia: peça um empréstimo!

Ainda que possa soar estranho, é exatamente isso que alguns pais de alunos têm feito para sustentar academicamente seus filhos. A medida é necessária quando não há outros meios de garantir a permanência desses alunos.

Na Universidade Federal da Bahia (UFBA), por exemplo, 300 bolsas de monitoria que seriam pagas no segundo semestre foram suspensas. Os R$400 de incentivo que a bolsa pagaria fazem muita diferença especialmente na vida de alunos baixa renda, que não possuem outras fontes.

 

4. Intercâmbio, visitas técnicas e aulas de campo canceladas?

No mundo em que vivemos é possível viajar sem sair de casa, basta usar a internet!

Para acadêmicos de cursos que requerem atividades práticas, essa medida causa um enorme impacto. Mas o Google sempre tá aí para ajudar, né não?

Na UFPR, um professor de Engenharia Florestal havia organizado uma viagem de campo, mas foi barrado. Ao Estadão, o estudante Winicius Schaeffer questionou as restrições: “É difícil aprender sobre florestas dentro da cidade“.

Se nem para dentro do país está sendo possível viajar, quando falamos em viagens internacionais de estudo, a situação piora: o estudante Vicente Heinen, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), havia passado em primeiro lugar para um intercâmbio na Argentina; porém a bolsa foi cancelada.

De acordo com a Universidade, os programas de mobilidade internacional estão suspensos até que haja reversão do bloqueio financeiro.

 

5. Sem reforma ou manutenção de equipamentos?

Manutenção é para os fracos. Para sobreviver no Brasil é preciso ser criativo!

Agora é oficial! O tal jeitinho brasileiro faz parte do meio acadêmico. Até que o bloqueio seja revertido, as Universidades seguem sem possibilidades financeiras de realizar reformas ou mesmo reparos nas estruturas. Além disso, não há recursos suficientes para realizar manutenção de equipamentos.

Ampliações e novas construções também estão fora de cogitação. A UFBA previa construir novos blocos em Santo André, mas o contingenciamento obrigou a instituição a adiar os planos.

 

6. Cortaram a luz?

Uma boa oportunidade para estudar como nossos ancestrais: à luz de velas!

Por mais estranho que isso possa parecer, foi o que aconteceu na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) quando o fornecimento de energia elétrica dos 5 campi e da Base de Pesquisa do Pantanal foi suspenso.

A Reitora Myrian Serra já havia alertado que, se o contingenciamento não fosse revisto, a Universidade poderia ficar sem os serviços  básicos como água e energia. Foi o que aconteceu. O corte de energia afetou até o Hospital Veterinário da instituição, que teve que ser esvaziado às pressas.

 

7. Compra e distribuição de livros didáticos congelados?

Trabalhe seu networking, peça emprestado!

Essa dica vale especialmente para alunos do ensino básico. Então se você tem filhos, irmãos, sobrinhos ou alguma criança no núcleo familiar, é bom estar atento à distribuição de livros didáticos.

Por que? R$144 milhões destinados à produção, compra e distribuição de livros didáticos também foram congelados pelo Governo. No município de Sobral (CE), por exemplo, isso implicou em expectativa de reposição de apenas 25% do material necessário.

 

8. Creches em período integral estão sem recursos?

Uma excelente maneira de aproximar a família. Trabalhe apenas meio período e cuide da criançada!

É isso o que responsáveis por crianças e adolescentes que estudam em tempo integral terão que fazer? Ao cortar repasses para a educação básica, o Governo dificulta a manutenção de creches em período integral. Dessa forma, crianças que passam o dia todo na creche podem ter o horário restrito.

A medida não impacta apenas esse público, que ficará sem assistência; mas também seus responsáveis, que precisarão fazer um verdadeiro malabarismo para readequar os horários.

 

9. Contenção de gastos com água?

Chegou a hora de ser sustentável. Leve sempre uma garrafinha cheia da sua casa!

Isso vale tanto para estudantes universitários, já que todas as universidades estão em fase gritante de contenção de gastos com água e energia, quanto para estudantes do ensino fundamental e médio de escolas rurais.

Até o momento, o Governo Federal não investiu dinheiro para fornecimento de água nas escolas do campo. Essa verba deveria chegar às unidades por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), juntamente com recursos para obras de acessibilidade e conectividade. No ano passado, quase R$130 milhões foram destinados a essa finalidade.

 

10. Os recursos repassados às escolas diminuíram?

Que tal vender bala no semáforo? Trabalho infantil é um incentivo pessoal do nosso presidente.

Com a grana desse trabalhinho extra, você pode pagar até suas aulas de tênis! Pelo menos é isso o que pensa os apoiadores de Bolsonaro em relação ao trabalho infantil.

Contrariando o discurso de que diminuiria os investimentos no Ensino Superior para aumentar no Ensino Básico, o governo executou apenas a modalidade básica do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), vinculado do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Apenas R$343 milhões (18% do previsto para o ano) foram repassados às escolas. No ano passado, esse valor ultrapassou os R$900 milhões.

Fonte(s): Estadão, Folha de São Paulo, G1, BBC News Brasil
Daiane Oliveira
Redatora, feminista e mãe. Discute religião, política, sexo e hábitos sustentáveis. Não discute futebol porque não entende. Quem sabe um dia.

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