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Estátuas racistas: 10 monumentos de escravistas famosos no Brasil

Em praça pública, monumentos homenageam os escravocratas mais notórios do país.

Yesa Maria Publicado: 10/06/2020 10:41 | Atualizado: 10/06/2020 11:16

No Brasil, ainda existem algumas dezenas de estátuas racistas, homenageando notórios escravistas brasileiros. Nesse artigo vamos citar algumas dessas figuras, entenda a seguir porque o assunto voltou a ter destaque.

 

Tudo começou em Minneapolis…

Além da pandemia pelo novo coronavírus, 2020 foi marcado por protestos contra o racismo, principalmente nos EUA, após a morte de George Floyd, homem negro assassinado por um policial branco, em Minneapolis.

As manifestações se espalharam, levando milhares de pessoas as ruas contra o racismo. Os protestos estão ligados ao movimento Black Lives Matter (vidas negras importam).

 

…e ganhou o mundo!

Em Bristol, no Reino Unido, um grupo de manifestantes do movimento antirracista derrubou a estátua de Edward Colston. O monumento foi feito em 1895, em homenagem a um dos maiores traficantes de escravos europeus.

O escravagista era tido como um benfeitor da cidade por parte da comunidade branca da região, foi membro do parlamento inglês e financiou a construção de escola, igrejas e hospitais, em Bristol e Londres. Colston foi acionista da Royal African Company (RAC), empresa monopolista do tráfico negreiro na Inglaterra.

A derrubada da estatua é considerada como um dos atos mais simbólicos das manifestações antirracista ao redor do mundo, considerada um momento histórico. Apesar disso, o prefeito de Bristol, Marvin Rees, negro, relatou em entrevista à emissora britânica BBC, que via a estátua como uma “afronta pessoal”.

Após ser ‘arrancada’, a estátua de Colston foi jogada no rio que corta a cidade, com aplausos da multidão. O manifesto foi considerado pelo governo britânico como um “ato criminoso”.

O ato simbólico provocou reações em diversas parte do mundo. Em destaque, a cidade de Antuérpia, na Bélgica, retirou a estátua do rei Leopoldo II, considerado sanguinário que causou a morte de 10 milhões de africanos.

Segundo historiadores, os monumentos em sua homenagem trazem à tona o passado colonial belga, marcado por exploração, violência e crueldade com povos africanos. A estátua foi incendiada dias atrás, no embalo dos protestos antirracistas ao redor do mundo.

O monumento será levado para um museu da cidade. Um grupo denominado “Vamos reparar a história”, exige também a retirada dos monumentos de Leopoldo II de espaço publico em Bruxelas, capital da Bélgica.

Como resultado de todo esse movimento, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, anunciou que irá reavaliar os monumentos públicos da cidade e retirar estátuas que homenageiam escravocratas.

Enquanto isso, no Brasil, diversas cidades continuam “decoradas” com monumentos racistas. São figuras da história brasileira consideradas desbravadoras. Protagonistas responsáveis por perseguir, torturar e escravizar índios e negros.

Em diversos estados do país, sem muita dificuldade, encontramos estátuas de escravagistas. Monumentos que deveriam estar em museus, estão expostos por toda parte.  Parece irônico, mas, a grande maioria dessas figuras é tida como “herói” nacional. Grande parte da população desconhece quem foi cada personagem.

 

Conheça alguns personagens escravocratas e genocidas que “enfeitam” as cidades brasileiras.

1. Borba Gato (São Paulo)

A estátua de Borba Gato foi alvo de diversas manifestações.

Manuel de Borba Gato (1649-1718), bandeirante paulista, dedicou a juventude a caça de índios para escravização. Era considerado desbravador de sertões, genro de Fernão Dias Paes Leme, bandeirante importante na história. Foi responsável por mortes, estupros e incêndios em aldeias indígenas. Era fugitivo da lei.

Conhecido também por ser caçador de esmeraldas e ouro, encontrou minas de esmeralda na região de Sabaruçu -MG. Fundador da cidade de Sabará. O escravocrata tem estátua em sua homenagem na Praça Augusto Tortorelo de Araújo, Santo Amaro – SP.

A obra, que já foi alvo de diversas manifestações para sua retirada, tem 10 metros de altura e pesa 20 toneladas, em seu interior há um trilho de bonde para sustentar a estrutura.

 

2. Monumento às Bandeiras (São Paulo)

O Monumento às Bandeiras amanheceu pintado com tinta colorida.

O monumento às bandeiras é uma obra em homenagem aos escravistas bandeirantes; a obra retrata portugueses, negros, mamelucos, e índios. A escultura é polemica, já foi alvo de pichações em forma de manifesto diversas vezes, os protestos questionam o próprio significado da obra.

Uma saudação aos colonizadores que realizaram expedições em busca da riqueza brasileira e escravizaram índios no interior do país. O monumento está localizado no parque Ibirapuera, o mais visitado de São Paulo. A obra do escultor Victor Brecheret, é feita de blocos de granito e possui 50 metros de comprimento e 16 metros de altura.

 

3. Bartolomeu Bueno da Silva – Anhanguera (São Paulo)

Bartolomeu é conhecido como um dos principais desbravadores do ciclo do ouro em Minas Gerais e Goiás, herda do pai o nome e o apelido Anhanguera (diabo velho) que foi dado pelos indígenas. Segundo historiadores, seu pai enganou índios ameaçando incendiar o rio. Bartolomeu também era escravagista. O monumento está localizado no parque Trianon, na avenida Paulista.

 

4. Domingos Jorge Velho (Santana de Parnaíba – SP)

Domingos Jorge Velho, bandeirante, chefiou a tropa que destruiu Quilombo do Palmares, fez parte do grupo de bandeirantes que atendia aos pedidos do governo que se sentia ameaçado  pelos índios e negros. Era conhecido como caçador de índios, responsável do dizimar aldeias indígenas e quilombos.

 

5. Francisco Dias Velho (Florianópolis)

Francisco Dias Velho, conhecido como fundador da cidade de Florianópolis, bandeirante, acompanhava seu pai na caça aos índios,  na juventude. Exterminaram, escravizaram e aprisionaram indígenas ao longo  da costa meridional brasileira.

 

6. Fernão Dias Paes Leme (Pouso Alegre – MG)

Fernão Dias Paes Leme, bandeirante, historicamente conhecido como caçador de esmeraldas, bandeirante de mais largo renome. Administrava uma aldeia com cerca de 5 mil índios escravizados. Vale dizer que existem várias estátuas homenageando esse personagem, destacamos essa pois é a mais conhecida.

 

7. Baltasar Fernandes (Sorocaba – SP)

Baltasar Fernandes, bandeirante, é conhecido como fundador de Sorocaba, aprisionava índios no Rio Grande do Sul e Paraguai para trabalhar nas lavouras como escravos, possuía mais de 400 indígenas a seu serviço.

 

8. Monumento aos Bandeirantes (Santana do Parnaíba – SP)

O monumento aos Bandeirantes, está localizado as margens do Rio Tiete, é homenagem aos principais bandeirantes escravocratas, está retratado Anhanguera, Bartolomeu Bueno, Raposos Tavares e Fernão Dias. O monumento conta também com estátuas de indígenas e escravos.

 

9. Duque de Caxias (São Paulo)

Luis Alves de Lima e Silva, mais conhecido como Duque de Caxias, militar, general conservador do século XIX, imperialista e escravocrata, repudiava negros. Considerado um dos grandes heróis nacional.

 

10. Pedro Alvares Cabral (São Paulo)

Pedro Alvares Cabral, considerado o “descobridor” do Brasil, terra já habitada por milhões de índios. A escravidão indígena iniciou após a sua chegada e instalação dos engenhos de açúcar.

 

– Vale dizer que a maioria das figuras citadas nesse artigo tem mais de um monumento em sua homenagem, em outras cidades do país. Vamos ficar de olho!

Fonte(s): O Globo, Veja, História do Brasil, El País, Alma Preta
Yesa Maria
Jornalista em formação, curiosa, black power, amante da fotografia.

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